CARTAS
Dia Mundial do Meio Ambiente
Dificilmente podemos dizer que temos algo de positivo a comemorar no Dia Mundial do Meio Ambiente, a não ser vermos as hipocrisias dos governantes e donos do poder, que aparecem nas lentes e câmeras de jornais e televisões plantando simbolicamente uma árvore junto com crianças nas escolas; uma semana depois, a mesma planta que serviu como exemplo é esquecida de cuidados que lhes garantem a vida e morrem.
Enquanto a ONU se prepara para o Fórum Mundial do Rio+10 em Joanesburgo, na África do Sul, para mostrar ao mundo o que evoluiu e o que regrediu com relação à natureza e a vida no Planeta, as notícias são desanimadoras e catastróficas. Nos fóruns preparativos que antecedem ao encontro, em vários países do mundo, o tema de maior ênfase foi de que o mundo deveria tratar antes a pobreza mundial e depois o meio ambiente; se é que conseguiremos ter esse tempo, pois iremos perecer todos, não pela síndrome do pânico do Bin Laden ou da arrogância do dono do mundo, George W. Bush, em não assinar o tratado de Kyoto, mas sim pela poluição dos rios, milhões de entulhos de lixo doméstico até o pescoço, asfixiados pela má qualidade do ar, aquecimento global e os efeitos causados não pelo El Niño nem a El Ninha, mas sim pelo El Hombre.
Os americanos que sempre largaram na frente em matéria de conhecimento, tecnologia, agora preparam-se para lançar uma nave tripulada rumo a Marte em busca de fontes de água potável; pena que agora seja tarde demais, a viagem mais longa que o ser humano deveria fazer seria para dentro de si mesmo.
Faço minhas as palavras do cacique da tribo Sioux, dos Estados Unidos, quando depois de dizimada sua tribo, assim como foram os nossos índios brasileiros em 500 anos, disse ao presidente no ato da rendição: quando o homem branco derrubar a última árvore, poluir o último rio, matar o último peixe, sacrificar a última baleia, envenenar e dizimar o último índio, estará tudo acabado, de nada adianta os bilhões de dólares e a supremacia pelo poder; será o troco da Mãe Natureza, ela agora não tarda e não falha.
Com tristesa pelas nossas crianças e as gerações futuras.
JOSE PEDRO NAISSER, Curitiba
Aposentadoria
Por decreto do governo federal de 24 de maio, foi concedido aos aposentados e pensionistas que recebem do INSS valores acima de um salário mínimo um reajuste de 9,2% em seus benefícios, para vigorar a partir de 1º do mês corrente, o que também elevou o teto de aposentadoria para R$ 1.561,56, sendo fracionado o aumento para aqueles que se aposentaram a menos de um ano.
Quanto aos segurados que recebem o piso de um salário mínimo, foram reajustados em 11,11% já a partir do mês de abril, originando-se um diferencial aparentemente ínfimo, mas que sobreposto aos de anos anteriores, acarreta uma perda relativa superior a 40% aos primeiros, ou seja, àqueles que ganham acima do piso de benefício.
São aproximadamente 13,5 milhões os beneficiados com o insignificante valor de R$ 200,00 atualmente, enquanto os demais, cerca de sete milhões de segurados, embora com ganhos um pouco superiores, passam pelos dissabores de um processo sistemático e injustificável de perdas de valor em seus minguados benefícios. Na realidade, estão sendo vítimas de apropriações indébitas, feitas à revelia da lei, pela insensatez dos responsáveis pela política previdenciária dos últimos anos neste país.
Procedimentos incoerentes e práticas tão nocivas ao meio social têm suscitado a desaprovação geral de importantes setores da sociedade organizada, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras lideranças políticas e sindicais que, ao lado da Condeferação Brasileira de Aposentados e solidários à causa, estão tomando a iniciativa de propor ações judiciais cabíveis contra o Executivo, para que o assunto seja revisto com urgência e a situação devidamente regularizada.
O momento atual é de mobilização de todos os interessados, atuais e futuros segurados da Previdência, no sentido de fortalecer o movimento nacional de aposentados e pensionistas, começando pela filiação nas unidades de base, que são as associações locais, dando assim maior representatividade às lideranças do movimento.
MOACYR PIANTAVINI, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Londrina





