Cidade Canção
Toda a estrutura da Cidade-Canção, seus instrumentos, seus acordes nas áreas de sa© úde, educação, cultura e lazer já não são regidos na mesma harmonia que há muito se ouvia nesta cidade e que, às vezes quebrando a barreira do som, podia ser ouvida, desejada e invejada por toda a região e até mesmo por todo o país, fascinando os ouvidos daqueles que procuram qualidade de vida sem ter que perder a modernidade e os benefícios que ela traz.
Mas a orquestra está passando por momentos difíceis. Há uma suspeita séria de que os músicos estejam doentes, de que foram contaminados por um novo integrante que há tempos vinha tentando uma vaguinha por aqui e que agora conseguiu se instalar: é um tal de aedes aegipty, que pelo que parece veio para ficar.
Mas será mesmo que todos estão com dengue por aqui? Bem, não seria nada espantoso, pois em Maringá, assim como no Rio de Janeiro, já se morre de dengue. Talvez a contaminação diminuísse se aqueles na platéia acostumados a usar o lança perfume passassem a usar o ‘‘lança-fumac꒒, e com os já contaminados a solução seria encaminhá-los para o HU (se houver vagas, é claro). Mas seria mesmo o melhor a fazer? As pessoas estariam, então, em busca da cura ou da morte, pois nos hospitais de Maringá, assim como nos grandes hospitais de São Paulo, já se morre de infecção hospitalar.
Há muito que se consertar por aqui. Talvez curar os músicos e afinar os instrumentos seja um bom começo, mas é preciso que a população passe a ouvir com maior atenção o que a orquestra está tocando, abra bem os olhos e acompanhe os movimentos das mãos do maestro. Talvez agora com a fiscalização da poluição sonora em Maringá sendo mais rigorosa, o volume irá diminuir e todos deixarão de apenas balançar a cabeça de um lado para outro, de cima para baixo, como se estivessem em um show de rock sem saber o que estão fazendo e muito menos o que estão ouvindo. Possivelmente a solução esteja aí: talvez a população passe a escolher letra, ritmo e a intensidade com que quer ouvir cada nota que for tocada, pois uma vida com qualidade requer uma bela trilha sonora. É melhor que todos limpem bem os ouvidos!
GILBERTO JORDÃO, Maringá
Audiência trabalhista
Ditatorial e injusta, é o mínimo que se pode dizer a respeito da justiça do trabalho. Presa de suas garras, o notificado é vítima engendrada por um bom conhecedor da Carta Del Lavoro (leia-se CLT e seus derivativos casuísticos).
O fato concreto é o seguinte: um suposto empresário presta um serviço, aliás, um desserviço, e muito depois da ‘‘obra’’ realizada se posiciona como pessoa física, não sem antes alegar que havia esquecido, em Guarapuava o talão de notas fiscais. E vai para a delegacia policial do trabalho denunciar, que supostamente trabalhou sem registro em carteira. De má fé, o malandro reivindica o benefício do esquema pré-pronto da tal justiça trabalhista.
O mérito disso tudo é que não há mérito. Uma magistrada impõe a condição de um ‘‘acordo’’, saída contra um impasse e só tende a contemplar requerentes, isso ainda na ‘‘pr钒 fase de instrução. Se houver julgamento, serão ouvidas as testemunhas, haverá multas, custas etecétera e tal, avisa, escolada, a magistrada ameaçando sentenciar.
Para recorrer da sentença, se por bem ou mal houver sentença, mais grana no pedaço: outro depósito de R$ 4.300,00, que só será liberado com a possibilidade (remota) do suposto réu ser inocentado. A lei é facciosa, corte tendenciosa e quem manda no regime é Benito Mussolini.
JOSÉ FIORI, Curitiba
Indignação
Democracia no Brasil é algo muito interessante. Para começar o nosso direito de votar para presidente. Direito ou obrigação? Se fosse um direito, poucos sairiam de casa para votar, em um domingo. Principalmente nos fantásticos candidatos que se vê por aí. Mais interessante são os salários incríveis dos políticos ganham, enquanto o salário mínimo é essa vergonha. Não existe inflação, mas muitas vezes na mesma semana duas visitas ao mercado diz o contrário. A gasolina diz o contrário. Os juros dizem o contrário.
E as fantásticas ofertas de emprego? Aliás, isso é muito interessante, porque não existem ofertas de emprego para quem não tem experiência. Mas também não tem emprego para quem tem experiência, pois a empresa não comporta pagar um salário para alguém ‘‘muito qualificado’’, e por outro lado quem não tem experiência e precisa se qualificar, como é possível se os cursos necessários e bons são caríssimos.
E as nossas crianças? As que não estão abandonadas, usando drogas, se prostituindo para poder comer, vivem em locais sem a menor infraestrutura, seja familiar ou de saneamento básico. Sei de casos de crianças, aqui em Londrina, que chegam a comer caramujos de jardim por falta de opção. E nosso prefeito? Faz o que? Nada. Isso é muito triste. Por isso, votar no PT? O que? Nem pensar.
Ah, mas a Copa do Mundo está aí. O ano inteiro alguns reclamam (injustamente) por falta de dinheiro, incapaz de dar um quilo de arroz para quem tem fome, mas na Copa consegue dinheiro para festejar os jogos do Brasil.
É por essas e outras que a cada dia que passa, cada notícia que ouço, me faz ter vergonha de morar no Brasil, de ser brasileira. Mas como diria o Herói da Mídia, ‘‘faz parte...’’
Ângela Tereza Lucchesy, Londrina

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