CARTAS
No ano passado os jornais trouxeram uma notícia e algumas críticas para um fato curioso e triste. A notícia era de que em torno de uma dúzia de deputados estaduais viajariam para a Europa às custas da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) com dinheiro arrecadado com a contribuição sindical. Coisa estranha, não ?
Se a FAEP tivesse real interesse em atender os agricultores, seria mais sensato, arrumar microônibus, jeeps, carroça ou mesmo em lombo de burro e levar os deputados para conhecerem a realidade agrícola do Paraná. Conheceriam os plantadores de feijão, fumo, arroz, mandioca, horti-fruti-granjeiros, maçã, pêssego, uva, laranja, café, trigo, batata, criadores de suínos, frangos, peixes, etc, etc.
Em vez disso, levou-os, supomos, para conhecer Madri, Barcelona, Florença, não podia faltar Veneza e suas gôndolas, Milão com seus trajes. Afinal deputados são da alta e estariam precisando, acreditamos, pela ótica, do comando da FAEP melhorar o guarda-roupa.
Depois devem ter visitado Roma, o Vaticano, Paris e lá conhecer o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, o Rio Sena (que saudade do Sena), Notre Drame e a noite, já que a boca era livre, jantar no Maxims e depois visitar Bois de Bologne, Moullin Rouge, Quem sabe? Quase esquecemos da Galleria Lafayette para um presentinho para a madame que não viajou.
Cremos, que a razão de patrocinar a viagem à Europa, em vez de visitar o interior, seja uma estratégia do comando da FAEP. Eles devem ter pensado Esse feudo é nosso, lá temos nossos vassalos: os dirigentes dos sindicatos. Os servos da gleba, os agricultores de verdade, não devem ter contato com autoridades.
Nós somos seus mentores e usufruímos dessa condição pela alta arrecadação da contribuição sindical compulsória. Pois nesse contato dos deputados com os servos da gleba alguns poderiam perguntar, V. Excia sabe curtiva um pé de couve ? E alguém mais atrevido e cansado dos rumos da política agrícola do País e de pagar compulsórios e outros que tais, poderia até dizer vá prantá batata.
Os que entendem que respondam.
OTACÍLIO CAMPIOLO, Rolândia
Lições que ficam para a humanidade





