CARTAS
Eleições
Ao governante do Egito antigo foram dez as pragas mandadas para que libertasse os escravos hebreus. Em nosso país, é uma praga só, contínua e cada vez pior. Aparece apenas nos anos pares. Desconhece-se seu nome científico, mas comumente são chamados de políticos. Acredita-se são todos da mesma espécie, independentemente da região de origem ou rótulo com que se auto-denominam, pois apesar de se agredirem verbalmente em público, quando se reúnem, longe das vistas do povo, é uma safadeza só. Eles vêm, mansos e humildes, adoram ser fotografados abraçando criancinhas, afagam, com tapinhas nas costas e vigorosos apertos de mão, os que se aproximam e logo somem. Depois que conseguem o que querem, enclausurados em suas ditas casas do povo, acabam com nosso sossego, ora inventando impostos, contribuições, taxas, etc. Por ocasião de novas investidas, aparecem nos meios de comunicação, se dizendo paladinos, que lutaram contra isso e aquilo, foram torturados e pedem, ainda mais esforços em trabalhar e pagar mais imposto ao erário, pois a globalização exige cada vez mais e mais empenho e suor do nosso rosto. Nessa época do ano, bem antes da chegada prevista e autorizada, eles começam a dar sinais, ainda que timidamente, que vão voltar e sugar ainda mais nosso sangue. Essa praga esteve ausente, ainda que, por pouco tempo. Quem tiver mais de 40 anos e tiver como vetor a decência e honestidade, lembrará, com saudade até, que ficamos livres dessa desgraça chamada congresso nacional, que só onera o país, com suas falcatruas jogadas debaixo dos macios e espessos tapetes. E, lamentavelmente, ainda há em nosso país quem pensa que essa praga é necessária. É fácil provar que são uns inúteis: qual é o número da última medida provisória editada pelo poder executivo ante a inércia do legislativo? Quantos artigos da constituição foram regulamentados através de leis complementares? Cadê a reforma fiscal? A tão falada reforma tributária? É um tal de CPI daqui, CPI dali, que quando terminam, nada acontece! Algum leitor desse jornal quer apostar comigo que a denúncia de superfaturamento no aeroporto de Salvador ficará sem resposta? A construtora é do Toninho, o malvadeza, que, apesar de ter renunciado, ainda manda mais do que se pensa. Pobre Brasil! De eleição em eleição, somos cada vez mais um pais sem representatividade política. Se há desvios e/ou superfaturamento é porque há dinheiro sobrando. Se está sobrando, não há razão para se pedir emprestado lá fora, com juros em dólar. Se está sobrando dinheiro, imaginem então, com essa corja toda trabalhando e pagando imposto. Esse país seria uma grande nação, como previu aquele visionário mineiro, que morreu na forca. Só falta boa vontade. Onde andará ela?
TADEU STULZER, Londrina
Judiciário
Quem alguma vez na vida, durante a existência de sol a sol, para fazer valer os seus direitos, bateu às portas do Judiciário, sabe muito bem da dificuldade que existe em se relacionar com os membros que trabalham nos foros judicias. São quase sempre caros, obsoletos e inacessíveis os serviços prestados pelos tribunais que tem, em seu corpo de servidores, pessoas mal educadas e mal numeradas, detentoras de poderes que nem Deus evoca para si. Em suas mãos são entregues vidas e não um amontoado de normas reguladoras de Direito que disciplinam a conduta do homem en Sociedade. Para cuidar de vidas é necessário a existência de pessoas capazes, competentes, com sensibilidade suficiente para saber que a vida tem mais valor que a lei. E assim, neste mês de maio, em que se comemora Maria e as Mães, é gritante a necessidade de repensar o chamado poder judiciário. Alguma sugestão se apresenta, por ora, para amortizar os efeitos do excesso de poderes enfeixados nas mãos do magistrado que se encontra numa torre de marfim, onde dita as regras e ordens a serem cumpridas e seguidas por seus súditos. A Câmara de Vereadores, que representa a vontade do povo na comunidade, deveria ser o canal de triagem de todos aqueles que, vindo de fora, o fazem para assumir algum cargo de relevância em uma determinada cidade. Aí nessa Casa de Leis, poderiam ser sabatinados os pretendentes a cargos no serviço de judiciário. Assim, como colocados em disponibilidade quando o caso justificar. Outras sugestões poderiam ser apresentadas para minimizar o problema da Justiça em sua raiz, mas há que se contentar neste instante em dizer que o judiciário não pode e não deve ter a última palavra.
ABNER DE LIMA BITTENCOURT FERREIRA, Bela Vista do Paraíso.





