CARTAS
Fundos de Vale
Foi com imenso dissabor que li a reportagem deste jornal, no último domingo, sobre a situação dos fundos de vale de nossa cidade, na qual é mencionada que, em quase toda sua totalidade, encontram-se abandonados e sujeitos a transformarem-se em depósitos de lixo doméstico. Tal situação já houvera presenciado pessoalmente nos vales que cortam nossa cidade, onde é facilmente perceptível o estado de abandono dessas áreas de preservação. Todavia, o que me causou maior surpresa foram as explicações e justificativas, por demais repetitivas nos dias de hoje, apresentadas pelos órgãos de meio ambiente, em especial pela Secretaria Municipal (Sema). A falta de funcionários é uma cantilena que vem sendo invocada há anos; a ausência de uma política consistente de preservação das áreas verdes também foi citada; e a tradicional falta de verbas. Mas o que me causou maior pasmo foram justamente as justificativas apresentadas para a atual situação falta de conscientização da população.
Entendo eu que a melhor maneira de a população se conscientizar é justamente por meio da atuação do poder público, coibindo práticas dessa espécie e, principalmente, mantendo limpos os fundos de vale. De nada adianta apelar para a conscientização da população se o poder público não dá mostras de que, efetivamente, está empenhado em exercitar suas atribuições legais. Pior ainda é ouvirmos, das próprias autoridades responsáveis, que nada está sendo feito no que concerne à manutenção e limpeza. No mesmo domingo da reportagem, deparei-me com um carroceiro prestes a descarregar entulhos de construção no Vale do Rubi, não tendo, todavia, levado a cabo seu intento, pois consegui dissuadi-lo. No entanto, acho que cheguei a ruborizar-me tentando lhe explicar que o local seria uma área de preservação ambiental, já que a grande quantidade de lixo ali existente mitigava minhas palavras (ainda bem que ele cedeu a meus argumentos sem atentar para esse fato). Pergunto: quantas reuniões foram feitas com os carroceiros para esclarecê-los de que nesses locais não devem ser jogados lixos? Quantas vezes se fizeram blitze com vistas a se vedar tal prática?
O presidente da Sema chegou a discorrer, na reportagem acima citada, sobre a ausência de dotação orçamentária para a limpeza dos fundos de vale. Seria necessária a existência de uma rubrica específica no orçamento para que se efetue tal manutenção? Entendo eu que limpeza de área pública não é investimento, mas sim uma atividade cotidiana que deveria ser realizada pelo órgão responsável, independentemente das vicissitudes por que possa estar passando sua respectiva direção. Seria essa a mesma justificativa para o extremo abandono em que se encontra a limpeza de nossa cidade?
Faço uma sugestão com relação à ausência de mão-de-obra: desde que não caracterize desvio de função ou alguma outra irregularidade, poderia a prefeitura aproveitar os funcionários incumbidos da manutenção da malha viária, que não vem sendo realizada há meses basta verificar a quantidade de buracos em nossa cidade e a própria informação prestada pelo secretário de Obras nos canais de comunicação para, emergencialmente, realizar-se uma limpeza nos fundos de vale. Nosso maior patrimônio não pode ficar abandonado como se encontra, a mercê da inércia do poder público e da consequente falta de conscientização da população.
JORGE NETTO FILHO, Londrina
Pentacampeão
É ano de Copa do Mundo e o Brasil se prepara, pela segunda vez, na expectativa do pentacampeonato mundial ser nosso depois da conquista do caneco nos Estados Unidos.
Os nervos se aquecem junto com a expectativa que toma conta dos brasileiros. O medo tenta falar mais alto que a própria razão. Razão de que temos uma seleção de craques que dá inveja a qualquer time do mundo. Entretanto, muitos vêem a conquista do título tão longe quanto a sede do campeonato, que está sendo geográfica e historicamente divulgada a fim de promover este que é o maior evento do ano.
O medo é compreensível em vista da Seleção Brasileira apática e medíocre que vimos nas eliminatórias para o mundial. Criando, dessa forma, uma ideologia de inferiorização perante o moderno futebol mundial. Não deixa de ser uma verdade se analisarmos a política corrupta e fraudulenta que envolve os bastidores da CBF.
Outro fator que nos atormenta é quais são os jogadores que irão disputar a Copa. Vimos no último amistoso um time forte no ataque, porém vulnerável na defesa. Antagonismos que não poderão fazer parte dos jogos. É visível que estes erros estão sendo consertados e não podemos ser inflexíveis em achar que nada está bom e que não irá melhorar.
A verdade é que a imprensa já entrou em campo e está fazendo o seu papel. Reportagens e entrevistas estão sendo feitas, não só para efeito ibope, mas como atrações e curiosidades. Craques do passado são relembrados, muitos alçados a deuses da bola, na intenção de conformar aqueles que ainda não acreditam no que a nossa seleção canarinho possa mostrar.
É claro que estamos longe da seleção dos nossos sonhos, mesmo porque temos o hábito de comparar a seleção atual com outras do passado, como a da Copa de 70. No entanto, muitos torcedores já estão se mostrando otimistas, juntamente com os jogadores convocados. Mas, se até lá, não conseguirmos calibrar o pé, o jeito vai ser colocar o coração na ponta da chuteira e torcer para aquele velho ditado: A melhor defesa é o ataque.
FELIPE ANTÔNIO VARAGO FARTH, Londrina





