Escolas (1)
Lendo a reportagem da Folha sobre ‘‘Escolas querem atrair os pais’’, verifiquei que este assunto é unânime em quase todas as escolas; muitas deparam com esta resistência dos pais. Sinceramente, não sei se é porque os pais (que vivem trabalhando) estão deixando para a escola toda a educação de seus filhos; o que na minha opinião não é correto. Devemos ponderar que as horas que os filhos passam na escola é bem menor do que a criança passa com a família. Por maior esforço que a escola faça, se não tiver o apoio e respaldo dos pais, tudo se torna bem difícil. Ainda mais, levando em conta que há uma inversão de valores muito grande atualmente. Os alunos, na maioria, estão totalmente sem limites. Respeito para com os professores então, nem se fala! Urge resgatar os valores perdidos onde, num passado não muito remoto, os professores eram considerados pelos alunos segundo pai e mãe. As escolas não podem desanimar! Devem continuar insistindo, convidando os pais para palestras, peças de teatro, homenagens específicas, com o intuito de conscientizar os pais que, na parceria escola x pais, quem ganha é o aluno.
ODETE BOTER GUIMBARSKI, Londrina

Escolas (2)
Ano de eleição, ano das maiores mentiras. As últimas vem do censo e a pérola delas é que 94% das crianças entre 7 e 10 anos estão na escola. Só se for na escola da vida. Crianças de bairros pobres como Jardim Angela, de São Paulo; João Turquino, em Londrina; ou qualquer fazenda no meio do Brasil, qualquer uma que viva essa situação, está longe da escola. Elas nunca viram bolsa-escola, nem merenda e trabalham desde cedo. Não vou falar do nível das escolas públicas. O número de alunos que entram na faculdade oriundos das escolas públicas, falam por si. A renda dos brasileiros diminuiu; por outro lado, estamos consumindo mais. FHC não encontrou uma resposta para essa questão mas é simples: boa parte da população aprendeu com os nossos políticos ‘‘a lei de Gerson’’. Com certeza essas e outras páginas do censo 2000 pertence a outro país. De preferência da Europa.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina

Amor primeiro
Eu vi sua mãe,
Ali no asilo de velhinhos.
Quieta, movida por lembranças velhas,
Olheiras, ouvidos mocos...
Dormitava
Ou fingia dormitar...
Um dia o ventre apalpou,
Não foi clone, não - o filho de seu amor,
Que nutriu e amamentou!
Agora só, no quarto frio, de luz apagada,
Clausura insólita, mundo limitado,
Alimenta de lembranças, a alma...
Do filho, lembra o sorriso inocente , as mãos miúdas,
A macia pele, a face de maçã rosada!
Ó filho! É sua mãe, tende piedade!
Lembra-se, criança ainda,
Buscava, nos hígidos braços,
Calor, carícia, abrigo, silêncio...
Porque inerte? Coragem!
Retorna ao ninho antigo!
Busca o que o mundo não dá,
O que o mundo não vende:
Amor de mãe!
Nos braços, agora flácidos,
Ainda há amor!
Ó filho, volta e entrega,
Em pleito de gratidão,
Seu abraço esquecido na turbulência da vida!
Que seja um momento,
Um só momento, (urge, o tempo)
Entrega à mãe que o espera,
No quarto frio e triste do asilo esquecido,
Entrega seu abraço, seu calor, sua vida,
A luz que ainda brilha em seu jovem olhar!
Sim, volte, volte antes que a vida nela se apague
E não haja mais tempo de amar,
O mais puro amor de mãe -
Seu amor primeiro!
LILIANA MARIA TREVISAN, Londrina

Medo
Algumas vezes falo, e muitas vezes escrevo, criticando políticos, policiais e outros funcionários públicos sejam eles deputados, governadores, coronéis ou atendentes de um posto de saúde. Não me importa quem sejam, se estão exercendo um cargo e recebendo salário as custas dos impostos que pagamos, temos o direito de exigir, pelo menos, honestidade. Porém, alguns amigos não concordam, dizem que devo tomar cuidado, pois, ‘‘mexer com os poderosos pode ser perigoso’’. Então, eu é que não entendo; meus filhos já foram assaltados, minha casa já foi visitada pelos ladrões, já precisei de atendimento médico e não encontrei, pago impostos e taxas duas ou três vezes por um mesmo serviço, como o pedágio, e isto é inconstitucional. E eu é que tenho que tomar cuidado? Eu é que tenho que temer as ameaças de gente que sempre esteve encostada em dinheiro proveniente de maracutaias, corrupção, extorsão e todo o tipo de atividades obscuras? Eu digo: Não! Nem eu, nem ninguém, precisa ter medo. Precisamos ter coragem e apoiar aqueles que lutam contra estes cafajestes que desviam o dinheiro que deveria salvar vidas, comprar alimentos e remédio, educar e dar uma chance igual a cada brasileiro. Na verdade, o único medo que tenho é o de pensar que meus descendentes sofrerão muito mais no futuro e lembrarão que eu fui omisso, medroso, e que calei diante das barbaridades. Não se cale, fale, escreva, denuncie. Só assim nossos filhos e netos poderão viver sem medo e sem as ameaça dos cafajestes. Agora, quem tem que ter medo são os maus, os corruptos. Pois uma nova geração de bons policiais, juizes, jornalistas, promotores e até mesmo bons políticos, está lutando para limpar o País. E eles terão sucesso se nós, os cidadãos que trabalham honestamente, os apoiarmos. Poderíamos começar votando e ensinando a votar, somente naqueles que tornarem públicas suas declarações de renda e estas forem compatíveis com as suas fortunas. Então! Quem é que vai ficar com medo? Garanto que não sou eu!
RUBEM CAUDURO, Londrina

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