CARTAS
População aflita
Só depois de duas dezenas de mortes é que o governo reforça o policiamento em Almirante Tamandaré. Deputados falam em CPI do crime organizado, abrangendo, agora, os assassinatos em série nessa cidade. O delegado de lá é afastado por suspeita de conivência, mas é transferido para outra delegacia, na Cidade Industrial. (O que espera a população desse bairro agora?). Outros fatos merecem ser lembrados. A CPI do narcotráfico da Assembléia não trouxe ainda resultado nenhum. E no que deu o inquérito do atentado contra a PIC? A impunidade dos acusados de narcotráfico, como o policial Noronha, continua. As dezenas de mortes de possíveis testemunhas contra o crime organizado no Paraná não foram apuradas, estabelecendo-se um silêncio sepulcral em torno disso. Nas implicações do assassinato do deputado Tiago Amorim nem se toca. O cinismo, o deboche machista de policiais bandidos de Almirante Tamandaré desafiam a delegada Alice, da maneira mais tenebrosa possível. Esses fatos lamentáveis não dão nenhuma base de segurança para a população da cidade. Dão, sim, certeza de impunidade e incentivo para traficantes, assassinos e outros bandidos continuarem aterrorizando a população. Não bastam promessas ou ações de impacto passageiras. A população já não confia mais nas autoridades, a ponto de achar que esse governo ou é conivente ou é incompetente. Seria necessária a ação de uma comissão de Direitos Humanos de âmbito nacional em Almirante Tamandaré, para, quem sabe, devolver um pouco de esperança e um vislumbre de alívio a essa população.
JOSÉ ANTÔNIO TRINDADE, Curitiba
Língua portuguesa
O uso inadequado e a deficiência da correta utilização da língua portuguesa, tanto na comunicação oral como na escrita, constituem um problema brasileiro de origem sócio-econômico, por estar diretamente ligado à condição de vida de uma pessoa, cujo estilo e cultura são totalmente dependentes e influenciados por fatores econômicos. As desigualdades sociais geram desnivelamentos culturais que se manifestam principalmente no debilitado desempenho linguístico que as classes menos favorecidas carregam em sua bagagem cultural, criando padrões diferentes de conhecimentos de acordo com cada camada social.
O resultado disso é o fracasso escolar no ensino público quanto à correta utilização da língua portuguesa na comunicação oral e escrita, que é observado mais abertamente nas provas de redação dos vestibulares.
No momento em que o ensino privado entra em questão, mais uma vez são reforçadas as desigualdades sociais e as injustiças, pois oriundos das camadas sociais mais abastadas economicamente as pessoas já carregam uma bagagem cultural mais erudita. Por isso esse é um problema econômico amplo e complexo, uma vez que consequentemente causa condições precárias na educação pública em todos os seus contextos, desde salários de professores até as circunstâncias sociais e condições de vida dos próprios educandos, difícil de ser resolvido quando educação e cultura não são levadas a sério.
ALEXANDRE SERRANO LUPPI, Londrina
Insensatez
A imprensa tem mostrado em reiteradas reportagens a situação calamitosa dos Distritos Policiais da Capital e Região Metropolitana. Aproximadamente 700 presos abarrotam estes locais. Unidades distritais como o 13º Distrito, (Cidade Industrial) com capacidade para receber 40 presos, conta com aproximadamente 120, resultando em constantes tentativas de fugas (algumas com êxitos), ameaças de rebeliões etc.
É urgente a necessidade de construir Centros de Detenção Provisória, a exemplo do que vem fazendo o Estado de São Paulo, para onde iriam todos os presos provisórios.
Os órgãos de representação de várias categorias, não se cansam de exigir providências.
Para espanto de todos, o governo ao invés de envidar esforços no sentido de construir as necessárias prisões provisórias, resolveu instituir uma gratificação de 130% (sobre o salário base) aos policiais lotados em Distritos ou Delegacias, onde estiverem presos em suas celas, criando uma situação inusitada: os policiais que antes deblateravam contra as celas superlotadas das delegacias agora tudo fazem para trabalhar aonde tem presos, pois assim estarão recebendo tal gratificação.
JOSÉ RODRIGUES DA SILVA, Curitiba
Ensino
Mesmo passando 5 anos na faculdade a maioria dos alunos que conseguem terminar seus cursos, saem semi analfabetos. Seja particular ou pública a universidade vive uma crise na formação de seus alunos, hoje a escola superior é uma predadora de alunos.
O negócio é enfiar o maior número possível de pagadores dentro de uma sala de aula, coisas como qualidade no ensino, preocupação com a formação do indivíduo ou matérias elementares, são esquecidas por essas escolas. O número de alunos com diploma universitário que sai da escola falando qui seji menas, ou que não conseguem passar no exame da OAB é cada vez maior, isso com 5 anos de universidade, agora imagine o que vai sair com apenas 2 anos.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina





