CARTAS
Polícias desinformadas
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Pedro de Jesus Colaço, proibe a divulgação de crimes na cidade. O comandande-geral da PM do Estado, coronel Gilberto Foltran, estranha a PM desconhecer a venda ilegal de armas. O comandande do 5º Batalhão, tenente-coronel Rubens Guimarães afirma que os PMs não sabem os locais onde são vendidas as armas clandestinas, e o secretário de Segurança Pública, José Tavares, diz: Arma não é um instrumento adequado a proteção. Com tanta falta de informação, posso afirmar, dá medo ter que confiar na polícia. Não é só a venda de armas ilegais e pontos de drogas que são conhecidos por repórteres e cidadãos e que a policía não enxerga. Existe uma série de outras coisas também. Mas quando a afirmação do desconhecimento vem lá do mais alto comando, só resta pedir ajuda a Deus, porque a PM vai fazer campanha.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina
Propaganda governamental
Autorizada ou não no Orçamento, toda despesa governamental com propaganda configura, em substância, malversação dos dinheiros públicos, que, no Brasil, invariavelmente se alega serem escassos. Pelo menos quando não se trata de prover mordomias, comprar cumplicidades, corromper o eleitorado, mas de cuidar de problemas tormentosos, que fazem deste rico país, um tema de noticiário mundo cão. Quando a propaganda, sempre aliás, enganosa, visa a exaltar supostas excelências da própria pessoa do governante e, para comandá-las, se cria um Ministério da Propaganda Pessoal característico das ditaduras , se contrata um batalhão de marqueteiros e se centraliza nas mãos desse ministro toda a publicidade das próprias empresas paraestatais, já se atinge o ápice da indecorosidade. Se vocês conhecerem algum governante incurso nas sanções legais e morais cominadas para tão ímprobo comportamento chamem a polícia. Não! A polícia, não! Chamem o ladrão.
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
Fundo do apagão
Foi aprovada pelo Senado Federal. Falta agora ser sancionada pelo presidente neoliberal FHC, medida provisória que autoriza a criação do fundo do apagão. Que obriga o cidadão e as indústrias a pagarem a conta do racionamento de energia elétrica. Aliás não é só a conta de luz que irá subir, também vai aumentar o IOF: imposto que incide sobre operações financeiras, como empréstimos, seguros, cheque especial etc. Além disso, existe previsão de incremento para o IPI e Cofins, sem falar dos sucessivos reajustes para a gasolina e da correção de fachada do Imposto de Renda (IR), que continua cobrando mais de quem ganha pouco. A justificativa do governo neoliberal de FHC para os aumentos do IOF e da conta de luz, são respectivamente a falta que faz os bilhões da famigerada CPMF para as contas do Tesouro Federal e a criação do seguro contra o apagão para ser utilizado pelas distribuidoras de eletricidade. Detalhe: muitas das distribuidoras de eletricidade operando no País foram privatizadas. Isto significa dinheiro público indo para empresas controladas por estrangeiros, que estão muito mais preocupadas com o lucro do que em prestar um bom serviço para cada um de nós. Porém, esses aumentos deverão penalizar, mais uma vez, a já estrupiada classe média, que não aguenta mais tanto desrespeito, esfoliação, falta de segurança e fome de dinheiro desse governo neoliberal que aí está.
ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, Maringá.
Administração pública
O movimento pela moralidade deixou marca inapagável das presenças ilustres no embate com a corrupção e o desmando. Certo é, apesar de tudo, que a história acaba sendo implacável com aqueles que se servem do poder para usurpar o povo. O fisiologismo não é um instrumento de governo. A ferrugem do metal que expõe a sujeira das negociatas, estimula o homem de bem, a se armar de boa vontade, para continuar na luta pela transparência. O povo de Londrina se depara agora com uma semivitaliciedade dos assessores que se viciaram na negligência cívica. Uma subversão de valores a pretexto de defender o absurdo faz desaguar nos tribunais uma licitação que é um lixo. Antes desabilitados se reabilitaram num diversionismo macabro. O ritmo foi o tango. Cheque sem fundo deixou de ser ultrajante para se transformar em fato corriqueiro, conforme posicionamento adotado em entrevista concedida por importante figura do sistema licitatório. A Lei 8666, Federal, parece ter sido revogada no município. O chefe soberbo transforma o Paço em coisa sua e não acerta o passo da administração pública. Assim fazendo, vai esgarçando o tecido das realizações através uma ação centralizadora, onde a indecisão evidencia o exercício da autoridade pelo medo. É o procedimento de um líder desarmado de boa vontade que vai adensando o pessimismo nos corações dos londrinenses. A fé tem uma qualidade orgânica e não ressurge no condão da magia. Os índices de aprovação vão batendo no fundo do poço. É lamentável um governante sem povo, ele é sempre triste, desconfiado e agressivo. Urge então uma revisão nos procedimentos para que tudo mais não piore. Londrina precisa encontrar o seu destino.
ALMIR ROCKEMBACH, Londrina





