CARTAS
É época de acertos de contas com o Leão, o grande síndico. Novamente ficamos espantados com a voracidade do executivo fiscal. Pelo menos três de meus salários do ano ficam reservados para contribuir com esta enorme conta que projeta o montante nacional de 35% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2002. As outras fontes, além do meu salário, também são de aguçado apetite. Só a CPMF estima a arrecadação de R$ 20 bilhões. Esse valor seria maior se não fossem as isenções legais que entendo nem sempre produzirem bons resultados. Podem até agravar a construção da almejada equidade entre os cidadãos. Apesar da boa intenção, quando não se recolhe os tributos em um único cofre para o Estado prover sa© úde, segurança e educação, as possibilidade de fraudes fiscais são potencializadas.
O dinheiro arrecadado, apesar de expressivo, não atende as necessidades dos brasileiros. É pouco e por questões da legislação tributária e de isenções, não é centralizado no caixa único do governo. A razão mais nobre para pagarmos nossos impostos está no ideal da função redistributiva do Estado que deve no mínimo evitar que pessoas tenham necessidades elementares, que adoeçam sem a assistência médica e que as pessoas tenha acesso à educação de forma digna. Agora que refaço minhas contas para recolher a parcela do Leão, tenho muito claro que os serviços a serem prestados pelo Estado estão longe de serem esmola. É a opção política definida na estrutura tributária.
AYLTON PAULUS JÚNIOR, Londrina
Evelyn Torrence





