É comum ver perambulando pelas ruas da cidade crianças pedindo esmola, dormindo em marquises e, o pior de tudo, fumando maconha ou cheirando cola, sem que os órgãos responsáveis tomem medida satisfatória. Acredito que esses órgãos deveriam se preocupar em dar trabalho e atividades a esse contingente de menores de nossa cidade, ao invés de querer dar segurança aos meninos da Epesmel, tirando-lhes uma fonte de renda honesta, que é o trabalho de cobrança de estacionamento no centro da cidade. O ser humano, muitas vezes, age pelo caminho mais fácil, como no caso noticiado pela Folha de Londrina na edição de terça-feira, no qual o Ministério Público do Trabalho da 9ªRegião quer proibir o trabalho de 222 menores da Epesmel que atuam na Zona Azul, no centro de Londrina, com a alegação ao grande risco de marginais.
Não é demais lembrar que a Epesmel não é uma criadora de empregos, mas sim, uma moldadora de caráter e formadora de cidadãos. Muitos profissionais liberais e pessoas de destaque na sociedade londrinense, de conduta ilibata, já foram membros da honrosa guarda-mirim, liga de engraxates e agentes da debatida Zona Azul, coordenada pela entidade.
Não seria mais producente aumentar o policiamento no centro da cidade para coibir a ação de marginais, em vez de tirar o trabalho (sustento) de 222 famílias carentes, que dependem desses menores? Ainda que empreguem esses 222 menores que ficarão desempregados, o que farão com outros que surgirem? Os órgãos públicos teriam que agir em harmonia e prudência, para debelar e resolver certos problemas da comunidade, sem se ater exageradamente ao texto frio da lei. Caso contrário, um afeta e atrapalha as atividades do outro, sem nada resolver. O trabalho do jogo do bicho, a prostituição, a mendicância, também são ilegais, porém estão aí há séculos. Não se resolve um problema criando outro maior.
ANTÔNIO ESTEVES DA SILVA, Londrina

Brasil

mockup