CARTAS
Ponte x radares
Pelo que se sabe, não removeram as pirâmides, no Egito, pelo descabido fato de obstruirem o tráfego de camelos. Nem os pórticos e portais antigos que se vêem na Roma atual foram removidos para viabilizar o trânsito, as entradas e saídas de veículos. Em Curitiba, um prefeito removeu, à revelia, o relógio da Praça Osório e encolheu o Passeio Público. Agora, há um zum-zum-zum de que a Ponte Preta deve ser removida ou levantada, devido a acidentes arquitetados por veículos imbecis.
Símbolo e tabu, a Ponte Preta está firme como uma rocha. É visível e bem sinalizada, com indicativos de altitude etecetera e tal. Só o mais desrespeitoso motorista ousa abalroá-la, estuprando-a na João Negrão. Deixem a ponte quieta, senhores asseclas, aspones e mandatários. Retirem, sim, a indústria poluente das multas virtuais, anotadas por pardais (radares) transgênicos com suas câmaras de tocaia. Ecologicamente incorreto, cancerígeno e criminoso, o serviço dos pardais foi contratado pela prefeitura com intuito de apenas subtrair dinheiro do povo. Eles não educam. Eles roubam e ensinam a roubar.
JOSÉ FIORI, Curitiba
Seleção Brasileira
O povo brasileiro se viciou em um esporte engraçado: vaiar a Seleção Brasileira. Qualquer que seja o jogo, o legal é vaiar a seleção. E estas pessoas que vão aos estádios para praticar seu vício são os mesmos que vão torcer para Flamengo, Corinthians, Palmeiras (só para citar alguns exemplos). Como se qualquer time brasileiro da atualidade fosse digno de aplausos. Hoje em dia nossos campeonatos andam lastimáveis, com jogos péssimos. Então vem a seleção, domina o jogo, ganha de um time que não é fraco, apresenta futebol comparável à de seleções do porte de Inglaterra, Espanha ou Alemanha, e o povo tem que vaiar. Agora eu pergunto: se fosse um jogo do Flamengo (ou Corinthians ou Palmeiras, etc.) apresentando o mesmo futebol e ganhando por igual placar, será que teriam vaias ou aplausos? Vamos parar com esse vício.
MARCUS VINICIUS DANIELI, Londrina
Eleições
Novamente somos obrigados a abrir as ''portas'' das nossas casas para serem invadidas pela propaganda eleitoral. Lá vem eles de novo, bonzinhos, honestos e trabalhadores, sempre em defesa do povo. Leio a Folha de Londrina todos os dias e noto que a cada dia cresce a violência e o desemprego, aumentam os preços dos alimentos, dos medicamentos, dos combustíveis. A saúde anda um caos, a educação, nem se comenta. No Brasil, os escândalos no meio político aumentam a cada dia. No Paraná, ouço no rádio que este foi um dos melhores governos dos últimos tempos. Deve ser verdade. As estradas foram doadas para as concessionárias de pedágios, e agora temos que pagar para ir e vir. Quase perdemos a Copel. As crianças continuam nos sinaleiros pedindo dinheiro e cheirando cola. Agora tem assalto aos ônibus urbanos, interurbanos, de turistas, tem seqüestros relâmpagos, tem os seqüestros tradicionais. A polícia foi obrigada a melhorar sua aparência, tendo que usar roupas mais bonitas, para não assustar e dar mais confiança à população.
Acho que o nosso Estado está melhor, pois vieram montadoras de veículos se instalar na Capital, com isenção total de impostos. Por que será que o exército não vai às ruas para prender os bandidos que matam, roubam e seqüestram? Traficantes de drogas estão nas portas das escolas. Para tirar alguns sem-terra da fazenda da família do presidente tem agentes da Polícia Federal, do Exército, todos disponíveis. Para prender ladrões e assassinos, as viaturas estão quebradas e as armas não funcionam. Não sou a favor das invasões, mas foi uma cena lamentável ver os líderes dos sem-terra algemados e jogados ao chão.
É, acho que o Estado e o País estão realmente melhores. Nestas próximas eleições devemos votar para colaborar que esta situação continue assim, sempre melhorando para o povo, para o pobre, para as crianças. Nós merecemos!
JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, Ibiporã
Casa de Custódia
O castelo da Disneylandia, ou melhor, a Casa de Custódia de Londrina acaba de lançar a ala das fugas, com a promessa que muitas outras ocorrerão. Graças à qualidade da construção presídio e a competência dos seus idealizadores, que gastaram uma verdadeira fortuna neste verdadeiro castelo ''Ra tim bum''. Para a alegria dos presos o governo do Estado construiu uma cadeia de papelão, colocou dentro dela bandidos de toda espécie e delito. Aguarde, sociedade londrinense, pois teremos novas fugas.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina





