CARTAS
Segunda-feira, 10h53. Há um homem estendido no solo em plena avenida Dez de Dezembro. Não entendi a situação e quase me desesperei quando vi uma motocicleta passar por sobre as pernas do referido homem. De imediato saltei do carro e liguei para o Siate, órgão que todos dizem ter a função de atender acidentes de trânsito. Mencionei o local e a situação que presenciava. Do outro lado da linha uma voz feminina disse já ter conhecimento do ocorrido. Alegou que o homem estava embriagado e que uma ambulância do Siate, por mera coincidência, já havia passado por ali vindo de outro local, mas que nada fariam pelo atropelado, pois era problema do 192. Insisti, pois mesmo depois de ter colocado o atropelado sobre a calçada com a ajuda de alguns cidadãos comuns, percebi que o homem sofria muito e tinha as duas pernas quebradas.
Coincidentemente passou por ali uma viatura da Polícia Militar, que atendeu meus acenos e parou. Contei aos policiais o que havia ocorrido. Eles prontamente saltaram do carro e assumiram a situação. Certa de ter feito minha obrigação entrei em meu carro e fui cumprir meus afazeres. Estou de público manifestando minha decepção para com o Siate diante do descaso demonstrado com a vida humana. Penso que se bêbado ou não, era um atropelado, e o socorro se fez necessário. A negligência do Siate nos arremete a algumas questões: Onde está o respeito pela vida humana? Para que pagamos nossos impostos, se quando precisamos do serviço pelo qual pagamos somos simplesmente ignorados? Para que serve o Siate?
CLEUZA MARIA IRINEU, Londrina
Copa do Mundo





