Greve


Muito lamentável e reprovável essa injustiça sem precedentes que se comete contra a classe discente da UEL. Incalculáveis prejuízos sob todos os aspectos, advindos de tal movimento que pode ser considerado lesivo, ao submeter uma parcela de cidadãos brasileiros a terem seus direitos de cidadania usurpados, sem meio-termos de defesa. Veja-se o tópico da alimentação dos universitários no restaurante da UEL: preço por refeição, R$ 1,30, suportado por mais ou menos 2,5 mil alunos diariamente, inclusive, às vezes, por visitantes, cuja frequência o movimento grevista incorporou. O universitário precisou frequentar casas de alimentação na cidade, desembolsando no mínimo R$ 3,00 por refeição, prejudicando-se em mais de 100% monetariamente, além da perda de tempo nos estudos, em condução, etc. Se a Carta Magna garante ao cidadão o pleno exercício de cidadania, como de ir e vir, não se pode querer obstruir a livre movimentação para se alimentar.
Grande é o número de estudantes alienígenas, vindo de diversos Estados. Muitos voltaram para as suas cidades, outros se encontram paralisados, pois até a biblioteca ficou fechada durante estes seis meses sem aulas. Alguns rescindiram as locações dos apartamentos, com sérios prejuízos, indo embora, outros transferiram-se de estabelecimento escolar e muitos perderam seus empregos no afetado comércio. Quem arcará com possíveis indenizações? As perdas num conceito amplo têm que ser ressarcidas, pois, na alçada da Justiça, casos de danos menores são indenizados. Cada um responde por seus atos, mesmo legais. O corpo discente, que nada tem com isso, vem ser o grande prejudicado – o bode expiatório das reivindicações.
GEORG MANFRED PLATZECK, Dracena (SP)

Polícia

Representando os delegados de polícia de nosso Estado, permita-nos externar o constrangimento de vários colegas filiados a estas entidades, leitores da Folha, ao lerem notícia vinculando o nome dos delegados Luiz Cartaxo Moura e Luiz Carlos de Oliveira. Di-lo assim, porque quando o jornalista comenta a substituição dos delegados (do COPE), informa que Cartaxo foi afastado por estar sendo investigado por sequestro e extorsão de um empresário espanhol, ao passo que Oliveira foi investigado pela CPI do Narcotráfico em 2000.
A notícia, sem ingressarmos no mérito das injustas e constantes acusações que delegados sofrem por esgrimarem contra criminosos, agride a honra objetiva e subjetiva dos colegas mencionados, de todos os integrantes da instituição, retira o manto místico do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil e mais, contribui naturalmente para que a população crie uma imagem de descrédito no setor de segurança pública. Como suporte dessa ilógica e injusta referência, pergunta desde o presidente da República, governadores, políticos, jornalistas e profissionais da área, entre outros, ‘‘quem não foi ou está sendo investigado? É justo elencarmos os episódios toda vez que os mesmos figurarem em notícias? Será que a matéria jornalística não perdeu o foco central e se acha desviada do trilho que conduz a verdade real? O direito/dever de informar não se acha desfigurado?’’
Ainda, será que o jornalista conhece ou pelo menos imagina as dificuldades naturais da profissão de delegado de polícia? Trabalhar arriscando a vida, esgrimar contra criminosos, administrar crises permanentemente tais como falta de recursos e a questão dos presos. Merece ele ver seu nome citado como ‘‘autor’’ ou ‘‘investigado’’ da prática de crimes hediondos? Isso é democracia?
VALÉRIA PADOVANI SOUZA, presidente do Sidepol
FAUZE SALMEM HUSSAIN, presidente da Adepol
Nota da Redação: Em nenhum momento a Folha quis denegrir a imagem dos delegados citados. As menções feitas tiveram como objetivo situar o leitor, uma vez que os delegados são figuras públicas.

Paraná

No ‘‘Espaço Aberto’’ da edição de 4 de março, o senhor Rasca Rodrigues tenta ser criativo para destilar o veneno característico dos pessimistas de plantão. Pinça dados de um contexto bem mais amplo que sua visão e tenta costurá-los de forma a dar contornos de verdade a um panorama negro que só existe na cabeça daqueles que advogam a filosofia do ‘‘quanto pior, melhor’’. Em sua ‘‘análise’’, ‘‘esquece’’ de informar aos leitores da Folha que no período a que se refere houve uma contração geral na economia brasileira e, só para citar um dos muitos exemplos, foi brutal a redução de empregos formais no setor bancário. Para ir na contramão desta tendência, sem contar o aumento da economia informal, um dado real que não deve ser subestimado, o governo Jaime Lerner transformou a economia do Estado através da industrialização – e consequente criação de empregos. Fez isso em menos de oito anos e só este dado serviria para colocá-lo em lugar de destaque na história deste Estado.
Se Rodrigues gosta de números, ele poderia citar não os do governo do Paraná, já que imagina serem eles apenas factóides marqueteiros, mas os do Ministério do Trabalho. Pesquisa divulgada recentemente indica que, no ano passado, através das Agências do Trabalhador, o Estado foi o que mais sucesso obteve no País: colocou e recolocou 102 mil trabalhadores em empregos com carteira assinada, contra, por exemplo, 93 mil de São Paulo, a chamada ‘‘locomotiva’’ industrial do País, que abriga 37 milhões de habitantes, contra 9,5 milhões que moram aqui. O próprio ministério divulgou que 53 mil novas vagas foram criadas no Paraná em 2001 e, destas, 22 mil foram no setor industrial. Se houve um pequeno aquecimento da economia do Brasil nos últimos dois anos, neste período, exatamente como fruto da política implantada pelo governador Jaime Lerner, aquela que Rodrigues demonstra abominar, o Paraná obteve, na criação de empregos, os melhores índices do País. Segundo o mesmo Ministério do Trabalho, no ano passado o crescimento do Estado foi de 3,82%, contra 2,72% da média nacional e 2,51% de São Paulo.
As bases de transformação do Estado estão solidamente fincadas e os resultados começam a surgir. São positivos e ganham destaque no País. Os paranaenses podem ter certeza de que neste e nos próximos anos eles serão melhores. São frutos de um governo que pensa grande, age com objetividade e, principalmente, é otimista, como as pessoas de bem.
ROBERTO JOSÉ DA SILVA, coordenador de Imprensa da Agência Estadual Comunicação Social

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