CARTAS
Lago Igapó
As máculas do progresso causaram-me espécie ao caminhar pelo lago Igapó. É certo que, desde sua construção-inauguração no final da década de 50, várias tentativas de maquiagem ocorram nesse processo. A expulsão dos antigos moradores do local onde hoje é o lago foi maquiada pela presença de um passeio público destinado aos cidadãos londrinenses, a valorização dos espaços ao redor do Igapó, a especulação imobiliária que acarretou na limpeza social de grupos mal vistos pela sociedade, dentre outras maquiagens, fizeram a história do lago Igapó. Hoje em dia, uma maquiagem menos sutil está sendo feita, e o pior é que essa solução, ao invés de melhorar a aparência, está realçando décadas de abandono. O lago vazio mostra toda gama de pessoas que ali circulam. O despejo de detritos industriais, os esgotos clandestinos de suntuosas casas, o transeunte de fim-de-semana que joga seu coco na água, a criança com seu saquinho plástico de garapa, o pai achando graça da travessura. Essas coisas que desapareciam dos nossos olhos, engolidos pela água, estão apontando toda uma estrutura organizacional que constitui a visão sobre meio ambiente.
Percebemos o meio ambiente enquanto manifestações naturais, intocadas pelo homem, florestas virgens, animais silvestres, entretanto, o meio ambiente é tudo aquilo que o homem toca, e macula! O saldo final dessa brincadeira de esconde-esconde, o lixo, está sendo novamente maquiado. Se não houver um desassoreamento no Igapó, aliado a uma política que perceba que não é através da maquiagem que se melhora e recupera décadas de poluição, que não é em goles cavalares, mas em doses homeopáticas que se cura um enfermo, tanto para o privado, quanto para o público, a goiaba continuará existindo.
O lago virou uma goiaba bichada, bela por fora, linda para quem a conhece apenas por fotos, ou pelas caminhadas ao pôr-do-sol, mas por dentro continua estragado! O lago Igapó é uma goiaba bichada. O espaço é muito pequeno para continuar e o cartão-postal é uma outra história!
REINALDO NISHIKAWA, Londrina
Aterro sanitário
O aterro sanitário de Rolândia, inaugurado há mais de um ano, ainda não foi ativado. Vemos esporádicas tentativas da administração de embelezamento no local, mas, na essência, pouco acontece. Segundo o guardião do aterro, a água da chuva, acumulada na trincheira e nas lagoas de tratamento prestes a transbordar, será bombeada. Milhões e milhões de litros dágua serão transferidos para onde? Assim que for iniciada a deposição do lixo no local, novos milhões de litros dágua limpa da chuva serão contaminados pelo chorume. Já pedimos por diversas vezes esclarecimentos aos órgãos competentes quanto a esse fato e não fomos atendidos. Já sugerimos adaptações na tecnologia implantada, no intuito de minimizar o contato da água da chuva com o chorume. Não nos foi dado atenção alguma.
Os responsáveis, atrás de uma cortina de silêncio, mantêm o público, futuro usuário do aterro sanitário, na ignorância e insegurança. A bomba elétrica, destinada a bombear o chorume da trincheira para as lagoas de tratamento, por diversas vezes teve que ser trocada devido a falhas no fornecimento de eletricidade que fizeram a bomba afogar-se na água. O bombeamento constante do chorume da trincheira é fundamental para que o aterro possa funcionar. As lagoas de tratamento do aterro de Rolândia, por motivos não esclarecidos, foram instaladas em local mais alto que a trincheira.
As laterais da trincheira que, segundo projeto, deveriam estar protegidas por pneus recobertos de terra, continuam desprotegidas. Enquanto isso nos lixões, borracharias, terrenos baldios e nas beiras das estradas, pneus com água estão servindo à proliferação da dengue. Dos três poços de monitoramento do lençol freático, previstos no projeto, só existe um e esse não atinge o lençol freático. Está em tempo dos responsáveis pararem de, para se justificar, afirmar que o povo não tem educação nem cultura! Está em tempo de usar o termo transparência na realidade do dia a dia e não somente em campanhas políticas. Está em tempo do cidadão ser respeitado, ter direito de questionar, ser devidamente esclarecido, poder opinar e participar. -
RUTH BARBARA STEIDLE, Rolândia
Homossexualismo
Lendo a reportagem da Folha da Sexta sobre homossexualidade, me deparei com uma resposta de uma senhora dizendo que papai e mamãe é de Deus, e o restante não. Fiquei pensando sobre o que é de Deus e o que não é. Crianças com Síndrome de Dowm, pessoas com câncer, Aids, leucemia, crianças com retardo mental, deficiência física, mudas, surdas, cegas, etc... de quem são? O que explicar para meus filhos quando me perguntarem, por que eles são perfeitos e saudáveis e outras pessoas não? Penso que Deus ama seus filhos de qualquer maneira, sendo de qualquer cor, gays ou homens, mulheres, velhos, crianças, doentes, saudáveis, deformados, bonitos, feios, enfim, não importa o sexo, mas a integridade, honestidade, lealdade, e o mais belo dos sentimentos, o amor. Tem tanta coisa errada, corrupção, crimes, que hoje em dia ser gay é o que menos interessa, e vale a pena dizer que nossas vidas são abertas e cabem de tudo um pouco. Basta aceitarmos e convivermos com nossas diferenças, para tentarmos ser realmente como Deus quer que sejamos: apenas irmãos.
ELAINE GHIRALDI, pedagoga, Londrina





