Greve das universidades


Caros professores: vim lembrá-los que estivemos por quase cinco anos juntos. Faltaram apenas dois meses. O que tenho a dizer serão palavras pesadas que exortam, mas que só uma pessoa digna pode dirigir à outra. De antemão, peço desculpas aos poucos professores que vêm participando e que têm se mostrado sensíveis aos problemas dos alunos. Infelizmente não passam de cinco dentre os aproximadamente 100 que compõem o curso de Psicologia. Durante o curso discutimos juntos muitas teorias e ações acerca de pensamento crítico, cidadania e ética. Depois, entramos numa greve e todo esse discurso desmoronou. Eu pergunto agora: porque vocês se escondem? Como vocês esperam ganhar uma luta me pressionando, sendo que vocês mesmos não vão às assembléias, nem a passeatas, nem participam (me desculpem de novo os quase cinco). Por que eu tenho que ficar sem me formar para lutar por vocês que não lutam por si mesmos?
Caros professores, vocês são dotados de poder estatutário, outorgado pela sociedade, para formar e atestar que seus alunos se encontram em condições de exercer uma função social, uma profissão. Para assumir esta profissão é preciso ter compromisso pessoal com cada aluno e também vocação para o magistério. Vocês assumiram esse compromisso comigo no início de cada ano em que eu estive na UEL. Sinto por não vê-los dispostos a assumirem seus compromissos e a vocação. Não continuem se igualando ao governador, que também usa o seu poder outorgado para manter uma posição de descompromisso e desrespeito com toda a comunidade do Paraná. Será que o sentido de luta contra um ilustre e desconhecido (governador) é tão mais forte que faz com que vocês esqueçam que até a lei considerou suas atitudes abusivas e mesmo assim vocês resolveram desconsiderar essa lei e a minha pessoa?
Ora, meus professores; diante de tanta ciência e competência, eu chego a conclusão que, se eu pudesse escolher, eu teria preferido humanidade, sensibilidade, bom senso e respeito às minhas necessidades, mesmo que isso significasse menos qualidade científica. Dez por cento de aumento podem tirá-los da greve, mas certamente não terão compensado as vidas e sonhos que vocês estão destruindo.
EUCLIDES LUNARDELLI FILHO, Londrina

Eleições

Estamos nos aproximando cada vez mais das eleições majoritárias em nosso País. Tenho a impressão que o ponto alto das discussões será o custo da dívida externa ou interna. Qual a solução? Certamente vamos ouvir dos candidatos as mais variadas considerações. Uma delas seria estar sacrificando o funcionalismo público para pagar juros da dívida contraída. A estabilidade da moeda e o controle inflacionário serão os argumentos desse atual governo, mas a que preço isso está sendo mantido? O arrocho salarial, principalmente no setor público, é notório e vai explodir em mais greves nesse final de governo. Todos os setores queixam-se da mesma coisa. Parece estarmos sentados em cima de uma bomba relógio, que irá explodir em hora marcada. Ninguém aguenta arrocho salarial por tempo indeterminado, isso traz consequências outras que a própria sociedade se rebelará contra o governo e o resultado é inesperado.
A síndrome da Argentina deixa nos brasileiros marcas profundas de pessimismo por saber que tão perto de nós aquele povo, aqueles irmãos, estão sofrendo de um mal que pode nos afetar a qualquer momento se não tivermos um direcionamento correto na nossa economia.
JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina

Abono

Vimos, por meio desta, corrigir informações contidas na matéria intitulada ‘‘Abono vai custar R$ 1 mi ao Estado’’, publicada na página 4 da Folha.
1 - O custo adicional aos cofres públicos do abono de R$ 100 concedido ao funcionalismo não será de R$ 1 milhão, mas de R$ 24 milhões;
2 - O incremento de arrecadação do lCMS não foi causado ‘‘pelo aumento da alíquota do ICMS para uma série de produtos’’ (sic). A jornalista esqueceu-se de informar que, se em alguns casos houve reajuste maior, em outros o governo do Estado promoveu uma redução das alíquotas. Isto aconteceu, notadamente, em relação aos itens que compõem a cesta básica, em obediência ao disposto nas três leis sancionadas pelo governador Jaime Lerner com este fim, e que levam o nome dos deputados que as propuseram: leis Brandão, Rossoni e Durval Amaral.
3 - 0 aumento da arrecadação foi causado, conforme esclarecimentos prestados pelo secretário da Fazenda, Ingo Hubert, na audiência desta quarta-feira na Assembléia Legislativa, pela industrialização do Estado e pelo combate à sonegação, obtido graças ao árduo e competente trabalho desenvolvido pela valorosa categoria dos agentes fiscais da Receita Estadual.
4 - Finalmente, para que não restem mais dúvidas: a dívida fundada do Paraná é de R$ 8,9 bilhões, A este valor não podem sor somados os precatórios, pois eles não constituem dívida. São decisões judiciais passíveis de contestação. No momento, o governo do Paraná está discutindo judicialmente 2/3 do montante de precatórios, estimado em R$ 3 bilhões.
OMAR NASSER FILHO, assessor de imprensa da Secretaria Estadual da Fazenda

Correção

A foto publicada na página 7 da edição de ontem, no primeiro caderno, é do deputado federal Severino Cavalcanti (PPB-PE), e não do presidente do PSB do Paraná, Severino Nunes de Araújo, como foi assinalado.
A reportagem ‘‘Jovem infrator é tema de debate’’, publicada na página 3 da edição de ontem do caderno Cidade, contém um erro na afirmação atribuída à promotora Edina Maria de Paula. O índice de 80% relativo a usuários de drogas diz respeito a adolescentes infratores atendidos pela Promotoria da Vara da Infância e Juventude de Londrina.

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