Bastante oportuna a carta do senhor Jorge Netto Filho, publicada na edição de 20 de fevereiro. A preocupação do leitor refere-se a um tema pouco falado em Londrina: cidadania. Sou morador de Londrina há mais de 16 anos, e nunca vi a cidade tão mal cuidada. Recentemente estive em Curitiba e pude constatar que a cidade continua linda, limpa e organizada. Os canteiros centrais das avenidas estão impecavelmente limpos, com a grama sempre aparada e flores diversas. É preciso muito esforço para encontrar algum tipo de lixo. No centro da cidade, encontro o Passeio Público revitalizado, com restaurante, nova iluminação e áreas de lazer. Um pouco mais à frente, diversos parques que primam pela beleza natural e conservação (João Paulo II, São Lourenço, Tanguá, Tingui). Visitei estes e outros tantos lugares de carro, mas poderia, com tranquilidade, fazer este passeio de bicicleta: as ciclovias estão em ótimas condições, e interligam vários pontos da cidade. Resolvi parar em um dos parques para tomar sol, ouvir o som dos pássaros e das folhas das árvores. Respirei dignidade e cidadania.
Muda-se o cenário. Os canteiros da cidade em que agora estou têm muito lixo, vegetação sem cuidado e placas (pasmem os senhores) de propaganda de empresas que supostamente deveriam conservá-los (e a prefeitura supostamente fiscalizá-las). Decido ir a um parque, mas tenho que dividir espaço com o lixo, excesso de gente e carros que disputam quem tem o som mais potente. Mudo de local e me proponho margear um lago, mas sinto tristeza ao ver lama e mais lixo. Um amigo diz que foi criado um parque onde antes havia uma usina hidrelétrica. O lugar é pequeno e sem muitos atrativos, mas resolvo deitar-me no gramado para relaxar, quando tenho que desistir pois uma senhora acaba de ligar seu rádio com uma música de gosto duvidoso. Resolvo minimizar minha resignação, ligando para uma das empresas que não têm cumprido o contrato de manutenção do canteiro de uma movimentada avenida. A funcionária não entende minha indignação, pelo fato de eu não ser morador próximo à avenida. Tento explicar-lhe que aquele espaço também é meu e que o que eu estava exercendo era minha cidadania. Sem sucesso. Estou em Londrina. Que pena!
MARCELO RUBENS MACHADO, Londrina

Greve das universidades

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