Greve nas universidades
Acho muito bonito o senhor governador pedir que a sociedade repudie a greve dos servidores das universidades, dizendo que são intransigentes. E para isto, alardeia aos quatro ventos que tem uma proposta maravilhosa de repasse de uma fatia do ICMS para as universidades.
A pergunta que gostaria que fosse respondida é a seguinte: que fatia é esta? Se existe este impasse há mais de 150 dias, é justamente porque o governo não fez nenhuma proposta concreta até hoje. E pior: prometeu divulgar um índice de reajuste na primeira semana de dezembro de 2001, e não cumpriu; prometeu rever o Plano de Cargos e Salários dos servidores, e retirou a proposta antes mesmo de apresentar uma nova tabela; agora vem com este papo de que as universidades é que definem o índice de reajuste, se quem libera o dinheiro é o governo.
REINALDO GONÇALVES NOGUEIRA, de Londrina
Tarifas da Sanepar
Em dezembro do ano passado a Sanepar reajustou suas tarifas de água em 12,68%, conforme previamente anunciado nos órgãos de imprensa, passando a taxa mínima residencial de R$ 10,25 para R$ 11,55. Após ter passado apenas um mês fiquei surpreso ao receber minha fatura de água para pagamento em 1º de março, com um novo reajuste de 6,06%, pasando a taxa mínima de R$ 11,55 para R$ 12,25, desta vez sem ao menos ficar sabendo através da imprensa sobre o tal reajuste. Por isso, gostaria de saber se agora em diante as tarifas de água sofrerão reajustes mensais. Será que estão achando pouco a cobrança da taxa de 80% sobre o consumo de água a título de esgoto, além de termos que pagar R$ 122,00 pela instalação (à vista) da rede sem a nossa devida autorização?
SÉRGIO TORETO, de Goioerê
Descaso do governo
Abolidas das escolas durante os anos da ditadura, as disciplinas de Filosofia e Sociologia encontram hoje terreno fértil para retornarem ao currículo acadêmico em todas as suas instâncias. É um momento propício, que clama por reflexão e atitudes. Tal é o fato que, diante do explicitado, o governo estadual sente-se incomodado e, através de sua política ‘‘maquiada de democracia’’, estabelece regras autoritárias e fornece informações ‘‘equivocadas’’ no próprio ambiente da educação, confundindo e desmotivando os maiores interessados: pais, alunos e professores.
Pautado muito mais numa política de racionalidade administrativa do que em promover a melhora da qualidade do ensino público, o nosso atual governo tenta hoje, após praticamente dois anos de inclusão das referidas disciplinas no ensino médio, descartá-las ou transformá-las em qualquer outra coisa, menos Filosofia e Sociologia.
Certo está que, nestes dois anos que se passaram pouco se produziu de melhorias pois, no seu ‘‘jogo administrativo’’, o governo Lerner manteve as disciplinas sem contratar os profissionais qualificados. Neste intento, serviu-se mais estrategicamente das disciplinas (para alocar professores advindos do fim do curso de Magistério, por exemplo) do que para atingir o tão propalado propósito de formar cidadãos, de proporcionar consciência crítica e resgatar valores.
O descaso com a educação e com o educador, a falta de transparência e a intransigência são características marcantes de um governo que vê apenas números - nem sempre corretos, é claro - e desconsidera pessoas. A resistência em investir nestas disciplinas no ensino fundamental e médio só demonstra claramente a herança que a nossa política traz da ditadura militar: não deixar que o povo pense pois, povo que pensa é povo perigoso.
No que diz respeito, especificamente à Filosofia - sem que nos esqueçamos da importância da Sociologia -, sua volta representa um avanço qualitativo no Ensino Médio, que há muito não temos presenciado. Não que ela venha a suprir todas as necessidades da escola, nem resolver boa parte de seus problemas. Até porque, muitos desses problemas são de esfera política e dependem deste setor para serem resolvidos. Entretanto, a Filosofia permite aos alunos e à escola um questionamento mais profundo de sua própria realidade, o que por si só já dimensiona grande parte de sua importância. Por isso ela causa tanto medo há muitos e tem sido perseguida, afinal é uma arma eficaz contra a manobra, a massificação, o desinteresse e a alienação.
Portanto, Filosofia e Sociologia apresentam-se imprescindíveis para uma sociedade que precisa sair destas perspectivas. E isto se dá num processo, através da educação e da construção de um novo modelo educacional, pautado não apenas nas idéias dos ‘‘tecnocratas da educação’’ mas especialmente na opinião e na reflexão dos responsáveis in loco por esta empresa: educadores, alunos, pais e comunidade em geral.
Reiteramos neste sentido o nosso compromisso com a Escola Pública Gratuita e de Qualidade, com professores bem preparados, remunerados e qualificados para as áreas específicas, para além da imagem da propaganda politiqueira que divulga avanços na mídia e ‘‘desmantela’’ o ensino na realidade.
JOÃO VICENTE HADICH FERREIRA, de Londrina
- Escultura em papel
O curso de escultura em jornal, ministrado pelo artista plástico Edson Massuci, no Sesc Londrina, será aos sábados. Na página 7 do Caderno Cidade de ontem, a Folha publicou, com base em informações repassadas pelo Sesc, que as aulas seriam às segundas e quartas-feiras.

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