Quaresma é o tempo em que os cristãos são convidados a se prepararem para celebrar a Páscoa, mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, nosso Redentor. É um tempo precioso, um grande retiro à semelhança dos 40 anos que o povo escolhido passou no deserto em busca da terra prometida, tempo de conversão e de relacionamento com o Senhor. É um tempo forte e abençoado porque é um convite para revermos nossa vida e traduzimos por gestos concretos a conversão necessária.
Um dos meios para isso é a Campanha da Fraternidade 2002, que nos apresenta a realidade dos povos indígenas do Brasil como uma desafiadora situação de pecado social e que deve ser transformada em realidade promissora de vida e não de morte.
Na época em que os nossos colonizadores chegaram ao Brasil, a população indígena era estimada em 6 milhões de pessoas, divididas em 900 povos, cada um vivendo a seu modo e no seu território. Hoje, essa população não passa de 551 mil, distribuída em 225 nações. A razão desse extermínio tem raízes na colonização e chega até nós pelo descaso com que tratamos as causas indígenas. Aqui no Paraná, segundo o censo da Funai de 1998, há 9.015 índios, espalhados em 18 reservas e pertencentes a três tribos: Guarani, Kaingang e Xetá.
Apesar de a Constituição Brasileira, artigo 223, reconhecer o direito do índio à terra, à sua língua, crença, enfim à sua cultura, 68% das 771 terras indígenas identificadas não têm o procedimento de demarcação concluído, embora a Constituição de 1988 tenha estabelecido um prazo máximo de cinco anos para que isso fosse feito.

‘‘Por uma terra sem males’’ é o tema da Campanha da Fraternidade 2002 e o sonho dos índios guaranis. Que neste tempo quaresmal possamos conhecer melhor a realidade de nossos índios, possamos aderir às suas justas reivindicações de tal modo que a celebração da Páscoa do Senhor nos deixe mais próximos da terra sem males, exclusões e violências.
DOM FERNANDO JOSÉ PENTEADO, bispo de Jacarezinho

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