Como usuário do Zerão, única área pública, diga-se de passagem, em condições razoáveis de uso em Londrina, gostaria de tecer alguns comentários acerca de suas condições de conservação. Não obstante as recentes pequenas melhorias ali realizadas, a área ainda continua a padecer de mazelas antigas, cuja solução aparentemente a Prefeitura não se dispõe a realizar.
Gostaria de começar citando a reforma do parquinho, que, aparentemente, ficou muito bonito, mas não há explicação para os troncos não utilizados que permanecem jogados sobre a grama e ao longo da pista de caminhada; já se transcorreram mais de dois meses, e até o domingo próximo passado ainda estavam lá, como prova da falta de zelo por um espaço público. Outro probleminha que gostaria de apontar são as placas de propaganda e uma estrutura para prática de escalada que foram instalados por iniciativa de uma rede de televisão. Ora, em primeiro lugar, a troco de quê placas de propaganda? Qual foi a contrapartida dos anunciantes? Que melhoria para o Zerão adveio da cessão desse espaço público? Já com relação à prática do esporte de escalada (não me recordo seu nome correto), acho que deveria haver um melhor dimensionamento do impacto da instalação daquela estrutura, a qual, a bem da verdade, aparenta estar ociosa - que me desculpem os praticantes do esporte, mas acho que a grande maioria dos usuários condena a perda do espaço físico ocasionada pela instalação da estrutura.
Outro problema que considero de extrema gravidade é o descaso com o anfiteatro, senão vejamos. Além do crônico problema de má limpeza, as duas portas traseiras, que dão acesso ao interior do anfiteatro, encontram-se quase sempre abertas, permitindo a quem quiser adentrar o recinto. Suponho que aquele local se preste para artistas e músicos se prepararem antes da apresentação, e não para dormitório e banheiro público, sem contar outras nefandas práticas. O engraçado é que, em maio do ano passado, efetuei uma ligação telefônica à CMTU, oportunidade em que fiz um alerta do problema à pessoa que me atendeu; em resposta, me foi dito que havia dificuldades em se adquirir um cadeado adequado que pudesse resistir aos constantes arrombamentos. Será que até hoje ainda não foram superadas essas dificuldades? Não se descobriu uma fechadura adequada para aquele local?
Tais situações apenas perpetuam o descrédito da população para com o Poder Público Municipal, que deveria se voltar para iniciativas que se traduzissem em melhorias das condições de conservação da cidade, o que pode se dar com medidas simples, que não demandam grandes inversões de recursos, como um maior zelo pelo espaço público. Espero que não se concretize meu receio de que a tão esperada urbanização das margens do Igapó II, tão logo concretizada, também venha a ser objeto da mesma conservação atualmente dispensada ao Zerão. Por derradeiro, faria um alerta à Sociedade Amigos do Zerão, cujo nome consta numa faixa de divulgação ali disposta: o evento divulgado deu-se em meados de dezembro, e até hoje a faixa continua poluindo o ambiente, o que, forçoso é reconhecer, não condiz com quem se intitula amigo daquele espaço.
JORGE NETTO FILHO, de Londrina

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