CARTAS
Carnaval insustentável
Tu és poluição e em poluição tu hás de tornar-se.
Nunca se faz tanto barulho como durante o carnaval. Haja ouvidos para suportar a pulverizada onda de decibéis contaminando o ambiente. Como festa magna do barulho, o carnaval estrondoso da globalização termina numa quarta-feira de cinzas, proclamando o marketing do silêncio.
Mas ninguém se iluda: a suposta alegria carnavalizada esconde uma depressão profunda, uma postura negativa causada pela lembrança do passado, quando o carnaval parecia ser menos barulhento, para não dizer, sustentável. Não haviam tecnologias tóxicas acirradas como a mania dos carros equipados com potentes parafernálias para irradiar agudos detritos (supostamente musicais) contra mentes e ouvidos.
O terrível ruído das ruas, em toda paisagem sonora e o sonzão circunscritos a clubes desguarnecidos de isolamento acústico configuram tortura globalizada, um desrespeito ao socialista direito de escolha de ouvir e não ouvir o quê, ao limite da tolerância auditiva.
Assim caminha a humanidade. Para o pó ecologicamente incorreto. Melhor seria reavaliar todas as políticas ambientais.
JOSÉ FIORI, de Curitiba
Governo responde
Em relação à carta do leitor Yury R. Miyamura, publicada na Página do Leitor desta Folha de Londrina (edição de 13/02), cabe esclarecer que o Governo do Estado jamais negou a existência de planos de atendimento médico anteriores ao Serviço de Assistência à Sa© úde do funcionalismo estadual, lançado neste mês de fevereiro.
É notório, contudo, que o novo serviço é um avanço significativo na assistência ao funcionalismo, já que será totalmente custeado pelo Estado, sem qualquer desconto em folha de pagamento para os 161 mil servidores beneficiados e seus dependentes. O investimento previsto chega a R$ 80 milhões por ano.
A situação é totalmente diferente do que acontecia durante a existência do Instituto de Previdência do Estado do Paraná (IPE), quando os recursos não cobriam todo o tratamento e o servidor, além de despesas com exames, ainda tinha custos de viagem, já que o instituto só tinha ambulatórios em Curitiba e Londrina. Agora, serão contratados no mínimo 13 hospitais, em cidades que cobrem todas as regiões do Estado.
Em segundo lugar, o Serviço de Assistência à Saúde do servidor estadual é uma proposta que prioriza o atendimento de saúde e não somente o tratamento da doença. Os hospitais selecionados terão que atender a diversos requisitos que garantam a qualidade dos serviços a serem prestados. Os editais para a contratação dos estabelecimentos já estão disponíveis com todas as exigências discriminadas.
Sobre a gratificação de R$ 100,00 que será disponibilizada para cerca de 23 mil funcionários públicos estaduais do quadro geral, cabe esclarecer que foi a forma encontrada pelo Estado para garantir uma melhoria na remuneração dos servidores estatutários que ganham menos. Como já foi amplamente divulgado, o Governo do Paraná está impossibilitado de conceder reajuste salarial por já estar utilizando o percentual (49%) da sua receita para cobrir a folha de pessoal, conforme estipula a Lei de Responsabilidade Fiscal.
É necessário lembrar que o rendimento médio do funcionalismo nunca deixou de ser uma preocupação do Governo Jaime Lerner, que concedeu avanços de carreira a todas as categorias de trabalhadores. Hoje, a remuneração média dos servidores estaduais é de R$ 939,65, contra R$ 409,62, em 1994.
SECRETARIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, Curitiba
Carroceria do Maverick
O leitor Alcindo das Neves Filho equivocou-se ao corrigir o erro cometido na reportagem de 10/02, na página 2 do caderno Carro & Cia.
Ocorreu realmente um erro na classificação do tipo de carroceria do Maverick, mas a correção proposta pelo Sr. Alcindo não é correta. O correto seria classificá-lo como sedã de duas portas ou sedã de quatro portas (se for o modelo de 4 portas), mesma classificação que lhe é dada nos Estados Unidos (Standard Catalog of American Cars e Chronicle of Automobile), onde o modelo foi lançado em 1969 e cuja carroceria era idêntica a do modelo brasileiro.
O Maverick (2 portas) por possuir uma porta grande, que se estende até o começo do compartimento traseiro, aliado a um vidro lateral traseiro pequeno e traseira alta, acaba por provocar confusão e por isso muitos pensam tratar-se de um autêntico coupé, quando na realidade trata-se de um sedã. O espaço do compartimento traseiro do Maverick é pouca coisa menor do que o do dianteiro, o que vem a confirmar e justificar que é correta a classificação utilizada pelos americanos.
JOÃO BATISTA MARIN, de Londrina





