CARTAS
Violência?
Eis a palavra banalizada por conta dos cidadãos brasileiros. Parece fútil atribuir a violência à falta de trabalho, ou excesso de pobreza, parece também um tanto banal culpar o sistema enquanto governo, mas se é verdade que um mal atrai outros e justifica muitos, talvez seja necessário culpar alguém ou alguns, que podem e deveriam fazer algo concreto para mudar não só a onda de VIOLÊNCIA que agora ronda o País, mas também a HISTÓRIA, que ao meu ver caminha para trás.
Perdemos a noção de nós mesmos enquanto POVO, ficamos por um longo período à mercê dos portugueses e quando nos descobrimos capazes, caminhávamos bem, até que pós Brasília fomos entregues à vontade dos EUA, e por hora vale dizer que nos tornamos escravos de nós mesmos, o poder que parece ter parado nas mãos de incapazes, tem nos tirado o direito a viver com dignidade, de ter pão sobre a mesa e quase sempre nem mesa se temos, nem teto, nem vestimentas, enfim já não somos.
Denominamos VIOLÊNCIA, o excessivo número de sequestro, o elevado número de assassinatos e ultimamente a máfia do combustível, que mata sem dó. Esse é contudo o retrato mais aparente de um mal que nos coloca todos os dias contra a parede, confinados em nossos medos e deduções ilógicas.
Houve um tempo, em que se falava em educar um país, vai longe esse período, quando os verdadeiros educadores da massa - formadores de opinião - eram exilados com suas músicas e textos jornalísticos, porém é notório que desde aquela época, a intenção já era domesticar o povo para entender pouco, e aí está o maior ato de violência que se pode acometer sobre uma nação.
Dizer que a VIOLÊNCIA acontece agora é pura hipocrisia, pois o que hora se vê nada mais é do que o fruto de um tempo em que o que mais se plantou foi a submissão à falta de cultura e educação, logo, é natural que de um povo rebelado e sem princípios, por falta de oportunidade e não por falta de inteligência surjam tantas manifestações violentas e macabras, porque a mesa continuou e continua vazia.
Culpar o sistema, os políticos, a polícia, é pouco, precisamos dar nome aos culpados, é preciso que se faça uma reflexão séria do ponto de vista existencial, moral e cultural de um povo e de um país, que parece ter começado rico para ser pobre, ou vice-versa.
Mais do que refletir é preciso agir e rápido, porque nosso país está morrendo por conta e culpa, não dos que estão literalmente matando, mas sim dos que ainda se sentem no direito de simplesmente deter o PODER e discutir VIOLÊNCIA.
Cleuza Maria Irineu é atleta e estudante de jornalismo, de Londrina
Pinóquio
A mentira tem perna curta mas a impunidade deve tê-la bem comprida e ágil. Como se admite que a Agência de Comunicação Social do Governo do Estado do Paraná publique tantas mentiras, neste jornal? Para desqualificar os servidores em greve, acusa-os de abandono de emprego. Ora, se assim fosse, o governo estaria prevaricando, faltando com as suas obrigações, pela não convocação desses funcionários por edital e posterior exoneração, depois de cumprido o prazo para apresentação normal ao trabalho. Se o governo não fez isso, é porque os servidores não abandonaram o emprego e, sim, estão exercendo o direito de greve.
A Agência não faz referência aos servidores que mantêm os serviços essenciais e que constituem, por exemplo, 100% dos que trabalham nos hospitais universitários e que vêm cumprindo revezamento. Em todos os setores, servidores vêm sendo, eventualmente, solicitados a cumprir tarefas essenciais ou inadiáveis, tais como aquelas ligadas às atividades de pesquisa, à participação em bancas nos cursos de mestrado e doutorado, à segurança e limpeza do campus, dentre muitas outras. O pinóquio diz que os grevistas estão em situação ilegal.
A despeito da guerra de liminares, os servidores estão respaldados por uma delas, que reconhece o direito de greve, com base na Constituição Federal. Não sei se por incompetência ou má-fé, essa Agência de Estado explica o não atendimento à justa reivindicação de reposição salarial, pela impossibilidade de revogar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ora, a toupeira revoga, porém, a Constituição Federal, que é uma lei maior, bem como a Constituição Estadual, que asseguram a reposição anual das perdas por inflação, para os servidores públicos.
A Agência esforça-se inutilmente em resguardar a imagem apopléctica do governador, afirmando que ele apenas tinha pressa, devido a outros compromissos. Também é um eufemismo dizer que o governador apenas pediu o apoio da sociedade civil. Ele incitou a sociedade civil organizada contra os grevistas, com a intenção de provocar uma verdadeira guerra civil resultando, inclusive, em ameaças de morte a dirigentes sindicais.
Com relação à apresentação de propostas para reposição salarial, nem é preciso dizer que elas são tão vagas (como bem o afirmou, claro e bom tom, Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Maringá, que participou de uma das rodadas de negociação) que não podem ser levadas em consideração. Com tanta desfaçatez dessa Agência, chego a crer que também é mentira a afirmação de que a Lei (de Responsabilidade Fiscal) impõe limites e vale para todos, inclusive para os grevistas. Na minha opinião, a Lei (de Responsabilidade Fiscal e as constituições Federal e Estadual) têm valido só para o governo, pois tudo o que ela assegura para os grevistas tem sido contestado e desconsiderado. Inclusive, os artigos que tratam da reposição salarial anual dos servidores públicos.
Maria Eugenia M. Costa Ferreira é professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM)





