CARTAS
Após os acontecimentos das últimas semanas, quando uma gata foi acusada de contaminar a água de toda uma cidade com toxoplasmose, o que vem se seguindo já era de se esperar. Parece que estamos vivendo aqueles anos da Idade Média, em que o extermínio de gatos parecia ser a solução para todos os males, do controle de doenças ao combate da feitiçaria.
Durante anos uma pequena parcela da população, junto com o S.O.S. Vida Animal de Londrina, reivindicou da Prefeitura uma atitude em relação aos animais abandonados e ao controle de zoonoses. No entanto, quase nada foi feito e a responsabilidade pelos animais ficou com algumas poucas pessoas, como a psicóloga que foi notificada e precisa definir o que será feito dos animais.
Quem nunca encontrou uma caixa de filhotes em frente à sua casa ou num terreno baldio que um infeliz deixou a Deus dará? Enquanto uns viram as costas, outros recolhem os animais e depois são denunciados e tidos como criminosos, como estamos vendo agora.
A respeito da reportagem de Emerson Dias, publicada pela Folha, é triste ver o presidente da AMA, Luiz Eduardo Cheida, dizendo que não é responsabilidade da autarquia. Se a responsabilidade não é da Autarquia do Meio Ambiente, é de quem então? Da psicóloga?
A solução não está na construção de um centro de controle de zoonoses nem de um local para serem executados serviços de laboratório. Estes locais se transformam em depósitos de animais para mascarar o descaso das autoridades e da população com o destino dos animais rejeitados. É fácil mantê-los longe das pessoas, à mercê de atos cruéis e sacrifícios em nome do controle de zoonoses, servindo de cobaias para as experiências abusivas que sabemos que ocorrem em nome do progresso da ciência.
Muito mais digno seria investir em campanhas de esterilização em massa, a exemplo do que tem sido feito pela prefeitura de São Paulo, que mantém ônibus equipados com consultórios veterinários que percorrem favelas fazendo a castração gratuita, e convênios com clínicas veterinárias que fazem a cirurgia a preços populares.
A solução está na criação de programas de conscientização já nas escolas, o controle de natalidade e a punição para a posse irresponsável, como acontece nos países de 1º mundo.
LIGIA MARIA FOGAGNOLLO, Londrina
A leitora e os políticos





