CARTAS
Quem escreve a respeito da greve é porque sente o dever fazê-lo. Faço-o, pois. Quero lembrar e comentar três sentenças de todos bem conhecidas.
1ª sentença: meu direito termina começa o direito do outro. Ouvi-o vezes muitas e o aceito, sem saber se é ou não de acertada jurisprudência. E pergunto: se os grevistas tinham o direito de começar a greve - e o tinham! - os alunos (matéria prima da UEL) têm ou não o direito de ter suas aulas, e terminar o ano letivo? Respondam-me os doutores.
2ª sentença: quem não trabuca, não manduca. Bem brasileira, não? Faz mais de 120 dias que os grevistas não trabalham e, incrível, receberam o salário - maior ou menor - de setembro, outubro, novembro, dezembro, 13º e, daqui a pouco, de janeiro. Vem alguém dizer-me que é justo. Nem aqui nem na China. Foi o que me disse um dos melhores advogados de Londrina, professor da UEL.
3ª sentença: esta vai em latim, pois é do grande São Paulo: dignus est operarius mercede sua, que significa é digno o trabalhador de seu salário. Pergunto: vale a recíproca: não é digno do seu salário o que não trabalha?
Sinceramente eu me espanto com o fato de cidadãos receberem o salário de seis meses, sem terem trabalhado um dia sequer. Coragem, não? A greve é legal, vivem repetindo. Pergunto: é moral e humana?
Infelizmente mudaram a famosa fama de Londrina. De Capital Mundial do Café, Londrina tornou-se - com que honra não sei - a Capital Mundial da Greve. Meus pêsames, cidade querida.
EDUARDO AFONSO, Londrina
Greve e partidos





