Popó, antes e depois

Difícil entender as dificuldades para se conseguir patrocínio num País onde o esporte é a alegria do povo junto com o Carnaval. Mas isso ocorreu com o nosso grande Popó, que mesmo sendo campeão pela Organização Mundial de Boxe, viajou para os EUA sem um único patrocínio, nem mesmo na cintura do seu calção, que identificava apenas o seu nome, enquanto o seu desafiante Casamayor ostentava vários, dentre eles do poderoso Wall Street Journal.
Os especialistas brasileiros em marketing e as grandes empresas perderam de investir no esporte, de ter o nome destacado no mundo inteiro, a cores, com fotos das agências Reuters, APF e AP. E para nossa alegria o Popó venceu e ganhou mais um cinturão. Agora, em cada subida nos ringues sua bolsa é de US$ 1 milhão.
Viva o Popó, viva seu povo simples e humilde. Com coragem e determinação você chegou lá.
JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba

Greve das universidades

Formandos de Medicina da UEL são obrigados a arcar, cada um, com R$ 40,00 pelo custo da formatura especial, sem qualquer culpa, haja visto que a formatura especial está ocorrendo por conta da greve das universidades. E também por conta da inflexibilidade do governo - covarde que foge dos problemas (toxoplasmose em Santa Isabel do Ivaí e greve das Universidades), passeando pelo mundo com FHC -e por conta do extremismo dos grevistas.
WALTER ESPIGA, Londrina
Desde 1991, quando eu era aluno da Universidade Estadual de Londrina, que greve faz parte do calendário escolar. Lendo a Folha pela Internet, passei a refletir: o aluno vai à escola para aprender e os professores tentam ensinar como solucionar problemas. Mas vejam vocês que há muito tempo o problema se repete. Talvez muitos não queiram mudanças, acham que está bem assim. Mas acho que esta na hora de mudarmos nós mesmos, só assim mudaremos o mundo.
Não estou querendo solucionar este problema, e sim chamar a atenção das pessoas. Temos boas universidades no Paraná, poderíamos ter estudantes de outros países estudando nelas. Isso se chama business, mais dinheiro entrando na cidade. Está na hora de acordarmos para realidade e vivermos num mundo mais organizado.
CLAUDECI DE SOUZA, Boston (EUA)

Traficantes

Na porta e nos banheiros das escolas, no pedacinho de papel, no meio da torcida, na praça da matriz, no beco mal iluminado, no salão de danças, no ponto de ônibus, existe um perigo. É um pó, uma seringa, um punhado de erva, um cigarro, um frasco, um comprimido. É um embrulhinho, uma pequena quantidade, um microscópio envelope de morte. Depois vêm o sono e o torpor; a sensação de falso poder e liberdade; a indiferença, a marginalidade, o desajuste, a loucura, o desafogo e, às vezes, o crime.
Há vendedores de veneno, sequestradores de felicidade. Roubando de crianças e jovens a saúde, a vida e a dignidade. Há fazedores de escravos, vivendo à custa da dor de pais e de filhos; e nós não sabemos o que fazer com eles. Enquanto não soubermos enfrentá-los e amarrar-lhes as mãos, eles vencerão, e o País terá perdido.
Depois que eles apareceram, o País ficou mais droga. E vai piorar, se não vencer o narcotráfico. Estão assassinando o Brasil de amanhã. A arma: veneno em forma de narcóticos. Estamos à mercê de mega assassinos. Eles sabem que matam muita gente e não pretendem parar. O maldito dinheiro que ganham tornou-os mais malditos ainda. Se o inferno existir, eles são os maiores candidatos a ele. Como não acreditam na sua existência, tornam a vida dos outros um inferno. O céu não é para eles, a menos que se convertam e reparem seu pecado. Assassinos a sangue frio.
São as latrinas de qualquer civilização. Entre eles e os operadores de canhões, a diferença é enorme. Estes são mandados e não ganham dinheiro pelo que fazem. Já os traficantes matam por dinheiro. Soldados de uma guerra suja e silenciosa. Sabem o que fazem e pouco estão se importando com as consequências dos seus atos, desde que consigam o seu dinheiro. De noite, vão dormir sossegados em seus lindos palácios ou coberturas com piscina, enquanto pais e mães, em algum lugar, se escabelam porque alguém matou seu filho por causa desses senhores da droga. O mundo já teve milhões de criminosos. Poucos são tão cruéis e frios como os vendedores de droga.
ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu

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