Greve das universidades


A representação estudantil se apresenta muito pequena no movimento de greve, aliás pequena é a representação em todas as categorias. Mas eu pergunto: qual é efetivamente a porcentagem da população que se propõe a trabalhar em causas sociais?
Na verdade não me lembro de ter tido em minha formação grandes incentivos ao desenvolvimento do senso crítico e de uma atuação mais contestatória. Acho uma pena que, em uma universidade como a Estadual de Londrina, que deveria ser um centro de produção de saber e berço de alguns movimentos, haja tão poucos professores que se disponham a ministrar aulas que estabeleçam vínculo com questões de âmbito social.
Não acho que isso seja argumento suficiente para justificar a ausência dos alunos no movimento de greve, mas será que há somente alunos desinteressados pela questão da UEL, ou será que estamos pouco acostumados a acreditar em mudanças?
Sinceramente, há muito tempo não espero grandes manifestações que mudem o País, mas ainda acredito que a dedicação de alguns pode melhorar alguns setores essenciais de nossa sociedade.
A greve na UEL é justa, digna. Quatro meses de paralisação não podem justificar os sete anos em que essa Universidade vem sendo sucateada. Não há perda maior do que a lenta e gradual decadência que o ensino superior vem sofrendo.
Eu espero que essa paralisação chegue a um fim logo, quero voltar a estudar Psicologia, mas o que eu espero mesmo é que o ensino superior no Brasil não continue sendo mutilado com a aprovação da sociedade. Afinal, já dizia o velho ditado: quem cala, consente.
FLÁVIA FERNANDES DE CARVALHAES, Londrina
Nos últimos meses, nos jornais da cidade não se lê outra notícia senão sobre a greve da UEL. Uma polêmica bem a gosto do brasileiro, porém sem resultado positivo para ambos os lados. Nós, que estamos inseridos na maioria que ainda desfruta de certa sensibilidade, podemos e devemos avaliar com maior nitidez esses desencontros e teimosias.
Aquele que desfruta da arte de ensinar, deixa de ser um simples professor e transforma sua ultrajada profissão em um sublime sacerdócio. Se os governantes tivessem um pouquinho de sensibilidade, enxergariam o professor com mais respeito, maior carinho e admiração, e a referida polêmica, por certo, teria um rumo positivo.
Não apenas os professores da UEL, mas também aqueles esquecidos professores dos bairros estão inclusos merecidamente neste artigo. Aquele professor ou professora que ensinou as primeiras letras, o ABC que abriu nosso caminho, que auxiliou os pais a moldar o caráter de seus filhos e mais tarde abriu as cortinas de novos horizontes para o domínio de ciências mais sofisticadas.
O que somos hoje, devemos ao nosso primeiro mestre. Sua foto deveria estar em lugar de destaque, ao lado de nossos diplomas, em nossos escritórios, em qualquer parte deste grande Brasil onde resolvemos nos instalar.
Em qualquer plano de remuneração salarial, o professor deveria estar no topo da lista. É inconcebível uma professora ganhar 300,00 ou 400,00 reais enquanto um vereador ganha 4.000,00 reais ou mais. Todavia, no Brasil, parece que tudo anda na contramão da História. Se algum mandatário por descuido ler este artigo, por certo dirá: concordo com o que está escrito, mas de onde vou tirar dinheiro para fazer frente a este direito?
Se houver boa vontade com certeza encontrará soluções. Afinal, aparece dinheiro para pagar os políticos, pagar os fabulosos juros da dívida externa, para fazer obras faraônicas e eleitoreiras ficando inacabadas e espalhadas por este Brasil afora; para muitas viagens ao exterior e jantares su© ntuosos, promocionais.
Mas voltemos ao principal. A greve da UEL deve prosseguir ou parar? Na minha opinião, apesar dos professores estarem cobertos de razão, a greve deve terminar, para o bem dos alunos, da sociedade e dos próprios professores. Estes, ao invés de saírem derrotados, por certo sairão vencedores e com a admiração de toda a cidade.
Porém, é necessário e urgente colocar no currículo escolar, uma matéria que ensine o eleitor a escolher bem seus representantes. Assim, daremos um basta aos governantes depredadores e turistas. Seus lugares serão preenchidos por pessoas com mais sensibilidade. Somente desta forma, os professores vão alcançar o lugar que sempre mereceram.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina

Filme pela metade

Toda a família reunida no domingo de tarde chuvoso, vamos ao cinema assistir o filme O Senhor dos Anéis. A mídia propagandeia que é uma superprodução e tal, e após 3 horas de muito agito, não tem final ainda - é parte 1. Essa omissão considero de natureza grave, pois na hora da compra do tíquete de entrada já se paga pensando em ver todo o filme... Não é o que acontece. Fiquei boquiaberto pela cara de pau dos produtores e o pessoal de marketing do filme.
RICARDO HIDEKI KAKIHATA, Arapongas

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