CARTAS
Greve das universidades
É com profunda indignação que vejo a conduta do governo estadual à greve da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que já tem uma duração histórica. É revoltante o tamanho descaso por parte do governador com um assunto tão sério como a educação, que deveria ser considerado o pilar de sustentação de um desenvolvimento concreto por qualquer governo sério e competente. Não só atentória à sociedade em geral, é também totalmente inconstitucional a omissão de nosso governador, visto que em desacordo com a garantia dada pela carta magna aos servidores públicos de revisão geral e anual de sua remuneração. A inconstitucionalidade de tal omissão já foi reconhecida, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que, entretanto, não parece causar reação alguma por parte de nosso governo. E eu, universitária, me pergunto: até quando esse descaso?
KARINA CARLA LOPES GARCIA, Londrina
É sabido da necessidade de reajuste salarial para os servidores do Estado, mas será que o comando de greve da UEL, apoiado pela comunidade e pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) sem comando , é incapaz de raciocinar que, embora tenha prometido, o governo Lerner foge de sua responsabilidade de recuperar as perdas salariais, demonstrando que pouco se importa em cumprir promessas. O comando de greve da UEL busca um reajuste que era de 55% e agora é de 30%, mas a única conquista foi a de prejudicar aqueles que até o momento se preparam para o vestibular de verão e tantos que precisam de atendimento hospitalar.
Há 5 meses, pelo menos, os candidatos ao vestibular estão investindo ininterruptamente em cursinho, aulas particulares, transporte, alimentação e preparação psicológica, e tudo isso se torna inútil com a decisão de nossos amigos do Conselho Universitário, induzido pelo comando de greve, de suspender o vestibular. Com o mesmo poder de decidir sobre a greve, o comando de greve e seus apoiadores deveriam tomar a decisão de ressarcir os investimentos feitos até agora, e mais, subsidiar o custo de nossas aulas de revisão até a realização do concurso.
Apenas o que nós, candidatos ao vestibular, queremos, é fazer as provas desse bendito vestibular e ter o nome publicado na relação de aprovados após o resultado. Que fiquem então em greve; esperando uma providência deste insensato governo, os prejuízos seriam menores. Só me resta comparar o governo de nosso Estado a alguns dos responsáveis e apoiadores dessa greve que não se preocupam com o que pode acontecer com as pessoas que deles dependem.
CRISTIANO STUANI, Londrina
Internet
O mundo nunca esteve tão incerto quanto ao seu futuro. Hoje, mais do que nunca, o rumo da humanidade está no limiar entre o céu e o inferno, entre o bem e o mal. Vivemos lado a lado com nossa pior metade. Guerras em busca pela paz. Ódio em busca do amor. A procura de um culpado para as iniquidades da Terra e o velho dilema de Tostines: Estamos assim em virtude das injustiças ou as injustiças que nos tornaram assim? Na verdade, o homem vive a maior fase intelectual de todos os tempos. Nunca estivemos tão aptos em fornecer ajuda. Porém, seguimos a cada dia que passa ao incerto, ao imprevisível. O atentado terrorista do dia 11 de setembro é uma prova disto. Aviões caindo do espaço aéreo mais protegido do planeta, como raios em dias de tempestade. A tão soberana defesa norte-americana, com seus aparatos tecnológicos de última geração, foi vencida por um grupo extremista e uma faca (arma usada pelos sequestradores no Boeing 767 da American Airlines que colidiu com um dos prédios do World Trade Center, nos andares mais altos do edifício).
A guerra contra o terror nos mostra um novo tipo de batalha, a qual não tem hora nem lugar pra começar e que, ainda, qualquer um pode ser o inimigo. O terrorismo biológico entra em evidência. Mais uma vez o homem contra ele mesmo. Vírus potencialmente fatais, como o Antraz, são criados em laboratórios como armas de destruição em massa. O medo agora é o sentimento da vez. Nos Estados Unidos as pessoas têm receio em receber correspondências. O Mr. Postman se transformou no mensageiro do diabo.
O fato agora é que o mundo virtual se aflorou mais ainda nos americanos. Cada vez mais as pessoas estão interessadas em fazer parte deste universo em que o contato físico é mínimo. A sensação de segurança é total. A partir de agora a Internet se firmará ainda mais como meio nas relações humanas. Muito mais pessoas utilizarão a rede em suas transações bancárias, em suas compras de supermercado, nos deliverys fast-food, em suas correspondências mais singelas, enfim, a afinidade com o digital está cada vez maior. Bill Gates deve uma a Bin Laden. Chegou a hora de um novo tempo. É a Internet a serviço da vida.
MURILO SCARCHETTI, Londrina





