Greve das universidades

Muita coisa foi escrita a respeito da greve e muitas posições foram manifestadas através de cartas, debates, discussões... O que me parece unânime é que a população que simpatiza com a reivindicação de professores e funcionários não está mais aceitando o método como esta tem sido exercida. Acabamos de bater o recorde nacional de paralisação e não me parece que esta greve tenha sensibilizado nossas autoridades. Este é um fato. O retorno ao trabalho não significaria absolutamente uma derrota dos professores e dos funcionários, mas uma pausa de reflexão para poder analisar o que houve de errado e oportunamente recomeçar as reivindicações através de outros instrumentos e outros protagonistas e através de uma mobilização mais representativa da sociedade e da comunidade.
Conversando com muitas pessoas a sensação que se capta é que esta se transformou mais em uma greve política do que uma preocupação sincera com a qualidade de nosso ensino ou com o futuro de nossos professores e funcionários. Em nenhum momento foi apresentada uma proposta de reorganização da UEL e de revisão dos sistemas operacionais. Será que está tudo perfeito? Para melhorar a UEL e o ensino basta aumentar a verba do Estado? Nada tem que ser revisto? Será que todas as verbas estão sendo bem aplicadas? Será que não existe corporativismo? Acredito que esteja na hora de discutirmos estes aspectos e talvez a comunidade espere dos professores e funcionários que realmente se importam com a qualidade de ensino e o futuro da UEL uma discussão mais ampla. Por favor, não percamos de vista o maior e principal objetivo da UEL... o aluno.
BRUNO VERONESI, Londrina
Como ex-aluno da UEL é que me manifesto sobre essa estupidez que ainda se denomina greve, e que tanto mal tem causado à nossa comunidade. A maioria esmagadora das pessoas que manifestam-se sobre essa triste situação, suscitam a irresponsabilidade do governo e dos dirigentes grevistas pelo caos. Eu, porém, não cogito em responsabilidade do governo, porque de há muito ele tem se mostrado irresponsável e ausente. Cogito portanto na responsabilidade única dos grevistas, que, equiparando-se ao ‘‘governo’’ em termos de irresponsabilidade e descaso, está jogando no lixo o grande patrimônio da nossa comunidade.
Certo de que existe na UEL o lado sensato em meio a toda essa estupidez, gostaria de rogar-lhe que se posicione pelo retorno imediato dos professores e funcionários ao trabalho, vez que a comunidade não pode ser prejudicada mais do que já foi. Aliás, o retorno ao trabalho é um imperativo porque os funcionários e professores estão recebendo seus salários e não estão trabalhando. Afinal de contas, onde está escrito que a comunidade deve pagar quem não trabalha? Onde reside a ética de receber sem trabalhar?
Entendendo que esse imbróglio está sendo manipulado por lideranças com claras vinculações político-partidárias, é chegado o momento de exigir que o prefeito Nedson Micheleti deixe de se omitir, e atue no sentido de persuadir os ‘‘comandos’’ a abandonarem a intransigência, porque o movimento já perdeu claramente seu sentido.
VALDECIR CARLOS TRINDADE, Londrina

Energia

Difícil detectar-se o verdadeiro objetivo do bilionário Antônio Ermírio de Moraes, de desancar todas as ONGs, chaleirar o governo, espalhar estatísticas a esmo ou dizer, sem intenção de ofensa, que ‘‘por incrível que pareça, o problema energético do Brasil é de fácil solução’’, uma vez que, ao contrário do primeiro mundo, onde a geração de energia depende de petróleo, carvão e gás natural, nós dispomos de fartas fontes hídricas, termelétricas, eólicas e solares.
Antevê, porém, que só seus netos talvez vejam a ‘‘fusão de energia nuclear, energia solar e hidrogênio. Assevera que ‘‘no futuro, poderemos olhar com simpatia para a energia eólica, que depende de bons ventos’’. E assegura que ‘‘no nomento, está correta a combinação de hidrelétricas com termelétricas a gás’’, embora reconhece que o Brasil é pobre em gás natural. Um estímulo a que o governo prossiga nos planos de implantar mais hidrelétricas, conquanto as existentes já sejam capazes, em havendo água, de gerar mais de 75 mil megawatts para um consumo normal de 58 mil megawatts. Caso sério.
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
Correção
Diferente do que foi publicado na chamada de capa da edição de ontem, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura aprovou para 2002, em Londrina, 39 projetos do setor musical e seis na área de patrimônio cultural.

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