CARTAS
Greve das universidades
Quem paga pela intransigência do governo estadual e do comando de greve das universidades? Em uma ponta, os pobres que precisam de atendimento do Hospital Universitário e Hospital de Clínicas, e dos serviços de extensão e na outra, nós, os alunos. Pagamos por erros que não cometemos. Pagamos pela incompetência administrativa de Jaime Lerner e pelos interesses de classes político-eleitoreiros dos sindicatos. Quem nos representa? Infelizmente, há muito o DCE não traduz o sentimento dos alunos. Tanto é verdade que a diretoria que aí esta, assumiu um mandato tampão, deveria ter promovido eleições em agosto do ano passado. Chega! A greve foi longe de mais, o governo pouco se importa, isso esta mais do que comprovado. Mais quantos dias vão precisar para comprovar o óbvio? Os professores e funcionários recebem seus salários em dia, ficarão em greve eternamente. E nós alunos? Até quando teremos de engolir calados os interesses desses grupos? Estamos isolados e desorganizados, apenas esperamos. Os formandos, organizados, estão conseguindo colar grau. Bom para eles. E nós, alunos do terceiro, segundo e do primeiro ano. Quem defende?
A sociedade organizada formada por patrões e empregados garantiu que apóia o movimento pela abertura de negociações em março. Até a Igreja Católica afirma estar engajada ao movimento. Quem está sendo intransigente? Os dois lados, tanto o governo quanto o Comando de Greve. É trágico, mas é verdade. No momento, a greve atende os interesses do Estado, de partidos políticos e daqueles que adotaram a política do caos, do quanto pior melhor! Basta, eu que quero aula!
SÉRGIO LUIZ DE SOUZA, Londrina
A universidade, entidade que tem por função o progresso da ciência, o dever de culturar a intelectualidade e de preparar a elite cultural da nação, está no abandono. O campus da UEL está literalmente abandonado. Por isso, exige-se do governador e do Comando de Greve a volta imediata às negociações, com ânimos flexíveis, evitando, dessa forma, que a mútua irresponsabilidade lhes impute o triste legado de destruidores da universidade. Essa queda de braço não se justifica, ainda que o governo diga ter investido muito ou mesmo que os mestres aleguem que ganham pouco. A continuidade da greve é uma afronta à comunidade pagadora do sistema. É lamentável suscitar no meio universitário, o ditado inquisitório do paga, mas não leva, que, até então, só se aplicava em produtos consumíveis em tempos de anormalidade. Na democracia, exige-se que parte dos impostos se revertam em educação ativa e progressista. Interromper-se este processo é roubar a sociedade.
E a fuga do reitor... É estratégia ou é deserção? O homem foi dotado da razão para tornar-se flexível, optando sempre pela melhor escolha. A educação não pode sofrer as consequências de dois lados inflexíveis, sob pena de maldição para ambos.
NÉLSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
Sou aluno do 4º ano de Odontologia da UEL e venho acompanhando o impasse entre o governo do Estado e os professores e funcionários através da Folha de Londrina. Professores e Funcionários lutam por uma reposição salarial justa, porém o governo, representado por Jaime Lener, vem mostrando total desinteresse por esta causa, justificando-se na Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas não podemos justificar a falta de interesse de nosso governador e dos deputados, principamente aqueles de nossa região à essa questão. Se o governo não dispõe de verbas, poderia ao menos mostrar o devido interesse e colocar algumas soluções para dar continuação ao ensino público superior do Norte do Estado. Pois, se nossas empresas públicas despertam tanta atenção do governo, principalmente durante as privatizações, nossas faculdades poderiam ser tratadas com igual interesse, porque geram um grande capital sócioeconômico para nosso Estado .
JOSÉ HUMBERTO MAMPRIM , Cambé
Ônibus
Muito me espanta a afirmação da URBS e também do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba. A primeira, responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo de Curitiba afirma, categoricamente, que os culpados são os motoristas (que sofrerão afastamentos). O segundo, encara o fato como simples coincidência ou, em linguagem figurada, um dia das bruxas. Tanto um quanto o outro sabe que o motivo deste dia das bruxas são os horários que os ônibus têm que cumprir cada vez com menor intervalo. Todos, pelo menos em Curitiba, sabem as velocidades que os famigerados ligeirinhos desempenham no trânsito urbano. Todos sabem dos riscos que estes coletivos apresentam à população para o sustento do marketing de um transporte coletivo completamente saturado. Todos, que têm que cumprir a lei sabem que para eles não existe direito de ultrapassagem, já que se apossam da faixa esquerda da via, ultrapassando, sim, o Código de Trânsito Brasileiro.
Após um dia com vários acidentes, tragédia maior é ver a URBS dizendo que os coitados dos motoristas são os responsáveis pela escala que ela elabora. E o Sindicato, que teria a obrigação de rebater isto, aceitando a comoda tese da fatalidade. Tanto um, quanto outro, prefere ignorar o perigo ou fingir que ele não existe. Tal qual seu povo, fingindo que vive em uma terra prometida, onde os denominados responsáveis não demonstram a competência que a população exige, ou, no mínimo, merece.
SÉRGIO ROBERTO MALUF, Curitiba





