Depois de 120 dias de paralisação sem que apareçam os sinais da fumaça do entendimento, a greve nas universidades estaduais do Paraná começa a incomodar – no pleno sentido do termo – a comunidade. Existem finalmente condições favoráveis para que se repense a greve e a própria universidade, compartilhando pontos de vista e discutindo outros, sem que apareçam os donos da verdade. Como em qualquer debate que chega nestes termos por conta da inflexibilidade de alguém, a plataforma da trégua passa pelo recuo de posições e pela aceitação dos principais pontos que conduziram a esta luta. O governo do Estado não cumpriu, desde a primeira paralisação em 2000, suas promessas e embora bata na tecla de que tem investido no Ensino Superior, não mostrou nenhuma boa vontade, credível, de superar o conflito, cedendo aos principais pontos do movimento. Temos a impressão à distância, que deseja vencer pela canseira do mesmo. Não é nenhuma novidade e essa sempre foi a estratégia de vários governos que em última instância recorreram como trogloditas, à força, para obrigarem todos a trabalhar!
Chegados neste estágio de luta, o que esperam os professores e funcionários da UEL? Apenas compreensão e apoio da parte da população. A luta deles, não se espantem, é também a nossa luta. Puxando a corda na outra extremidade, temos um governo que não tem dinheiro para os reajustes, porque de fato deixou o Paraná mergulhar no caos em que se encontra. Temos um governador que privatizou nossas estradas, entregou nosso banco e quis destemperadamente entregar a galinha dos ovos de ouro, chamada Copel. Um homem que para vir inaugurar uma cadeia na cidade, monta o maior esquema de segurança que Londrina já viu. Alguém que neste momento deve estar curtindo suas ‘‘merecidas’’ férias no Litoral, enquanto pessoas são vítimas de ouvidos moucos, na entrada do Hospital Universitário. A revolta dos londrinenses não deve ser não contra seus filhos, que fazem greve para não passarem fome! A ferocidade da comunidade deve voltar-se sim, mais uma vez, contra quem patrocina este maldito sistema neo liberal que em última análise visa acabar com nossas universidades públicas e privatizar o ensino público que ainda nos resta.
A indiferença do governo estadual e o silêncio de nossos deputados é uma falta de respeito para com todos nós. Nós comuns mortais, que na rua já expulsamos um prefeito e que agora, de novo, não nos poderemos calar perante os desmandos consecutivos de um chefe de governo, que há muito tempo voltou as costas para o interior do Paraná. O sofrimento do funcionário ou do professor que se vê atingido no âmago de sua dignidade com salários aviltantes e péssimas condições de trabalho, deve ser a angústia de toda a comunidade londrinense.
PADRE MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS, Londrina

Contravenção

O velho problema da prostituição reapareceu em nossa cidade. Ele esteve sempre aqui, pertinho de nós, mas as autoriades não viam, mas de repente, num passe de mágica, a boa e velha polícia consegue consegue prender algumas prostitutas e fechar pequenos bordéis. Será que essas mesmas autoridades têm coragem de agir da mesma forma com outras contravenções existentes em Londrina, casas que são cassinos, jogo do bicho, máquinas de vídeo-pôquer? Tudo isso é contravenção e proibido por lei. Ou só vai sobrar para prostitutas e travestis?
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina

Novo projeto

Achei muito interessante a nova diagramação da Folha de Londrina, mas não concordo com a redução do espaço das colunas do Claudio Humberto e do Luiz Geraldo Mazza.
OSMAR JOSÉ CORREIA JÚNIOR, Curitiba

Solidariedade

Estava já há algum tempo na fila de um congestionamento caótico e a estimativa para vencer os últimos 20 quilômetros da BR-376 até Curitiba era de ainda mais três horas. Era o segundo dia de 2002, às 10h30min, e eu preso na estrada, perto de São José dos Pinhais. Imaginava uma eternidade ficar mais 90 minutos no trecho, inerte, embora com um potente carro nas mãos e andando à tartaruga. Quando a serenidade começava a acabar, a irritação aumentando, a paciência acabando, os nervos quase explodindo, percebo, à minha esquerda, um motoboy ansiado para atravessar a rodovia. ‘‘Um segundo a mais, um segundo a menos, seja o que Deus quiser’’, pensei. Parei e fiz sinal para que ele passasse.
Ao passar na minha frente fez sinal de positivo. Mas parou na outra faixa e segurou um caminhão que vinha à minha direita e abrindo caminho, o motoby fez sinal para acompanhá-lo. Saí da fila e segui-o. Pegamos rua de chão, poeira. O motoboy percebeu que eu já estava preocupado. ‘‘Para onde vai me levar esse cara, imaginei’’. Ele percebeu o meu receio. Manobrou a moto e parou a meu lado. ‘‘Vou mostrar um outro percurso, muito mais rápido e sem congestionamento, porque você é um cara legal. Já tinham passado mais de 10 motoristas e ninguém me deu atenção’’. Em resumo: meia hora depois estava tirando a bagagem do carro, em casa, no centro de Curitiba. Aqui, em casa, sem saber o nome e onde mora aquele motoboy, quero cumprimentá-lo, agradecer, por ter me dado uma alternativa para sair do inferno. Quero que todos os motoboys tenham neste ano que está começando, sempre caminhos livres. E que nós sejamos um pouco ou bastante solidários uns com os outros.
ARNOLDO ANATER, Curitiba

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