Só de raiva, não compro mais aquela Ferrari vermelha. O perfume eu já não gostava mesmo!
Mas veja só, o esporte é uma ciência que resiste a inovações. Até porque nele deve prevalecer, assim como nas demais ciências, o respeito à ética. Aliás, Ética vem do grego éthike, que diz respeito aos costumes, sobre a conduta humana a ser seguida diante de problemas fundamentais da moral, da obrigação e do dever, um chamado ao dever-ser, uma direção a ser seguida, objetivando sempre a justiça e harmonia dos homens e mulheres. Portanto, a conduta da equipe, no caso da ‘‘Ferrari’’, como não estamos no meio do campeonato, como o alemão está em primeiro lugar na contagem e com larga vantagem, foi, rigorosamente anti-ética, pois não se vislumbrava que a pontuação naquela corrida seria decisiva para a sua derrota no campeonato.
Talvez seja hora de inovar no regulamento da Fórmula 1, em respeito ao torcedor, em respeito à disputa, à competividade, que é o objetivo final do jogo.
É claro que toda inovação enfrenta resistências. Vejamos o futebol, olhem só a decisão do Rio-São Paulo, no confronto a partir do quadrangular final, em caso de empate no saldo de gols, a decisão era pelo número menor de cartões vermelhos e persistindo o empate, passava-se para a contagem dos catões amarelos. Foi um pandemônio! Técnicos, jogadores, comentaristas, uma unanimidade contra a desorganização, contra o regulamento. Sou palmeirense desde criancinha, como diz o jargão, inclusive meu time foi desclassificado pelo São Paulo, pelo regulamento, por ter um número de cartões amarelos superiores ao São Paulo. Mas os dois jogos do Palmeiras com o São Paulo foram magníficos, jogo jogado, na bola, na ética e não no anti-jogo, na falta, na violência. Valorizou-se o personagem juiz em campo e o esporte ganhou, o futebol ganhou, a imagem ganhou, o torcedor ganhou, as torcidas ganharam e, por ironia, até os torcedores violentos aplaudiam quando o adversário fazia uma falta agressiva, pediam a punição pelo anti-jogo e em nome da ética, eles torciam contra a violência!
Tipicamente um caso de uma regra educando, formando ética, formando cultura!
Cheguei, então, a seguinte conclusão: para os aficionados em futebol, se querem privilegiar o melhor time em face dos seus resultados em partidas calculadas pelo número de gols, então, faça-se um torneio com pontos corridos; mas, em caso de quadrangular final, que contraria a lógica de que detém o maior número de vitórias, a fim de se dar preferência ao espetáculo, a regra imposta, para solucionar o empate no saldo de gols por meio de cartões, é perfeita!
Por outro lado, se de fato a regra dos cartões surgiu como fruto da desorganização do futebol, pode-se se asseverar que, boa parte das grandes invenções também surgiram em razão de uma ocasionalidade qualquer.
A regra dos cartões é um bom exemplo que deve ser seguido por quem ama o futebol-arte, afinal não somos o ‘‘país do futebol’’? Sejamos então, entusiastas do futebol.
CÉSAR BESSA, é professor da Universidade Estadual de Londrina e da PUC

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