Cartão, cheque especial e juro alto, os vilões
A recomendação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade é que os consumidores não deixem de comprar, mas comprem com moderação. O alerta é pela proximidade dos eventos de fim de ano, que induzem a mais compras e gastos com viagens e férias, e diante da insegurança que se implantou depois da crise financeira que explodiu nos Estados Unidos. Fica evidente que os vilões são o cartão de crédito, o cheque especial e o juro alto.
A chegada do 13º salário possibilita a muitos gastar esse excedente com compras, mas o aconselhamento é que os endividados usem esse dinheiro para saldar as contas. Pagar dívidas será também uma forma de promover o giro da moeda e, no mínimo, servirá aos credores, ao tempo em que aliviará os que devem. É uma imprudência comprometer o orçamento com compras que podem ser adiadas e não se fala do essencial, porque deixar de comprar gerará recessão.
A cautela é necessária não apenas diante da denominada crise, mas porque esse comportamento vale para qualquer tempo. O cartão de crédito e o cheque especial são dois instrumentos facilitadores de compras, mas também favorecem à impulsão de adquirir o desnecessário ou adiável. Com eles vêm a tentação de comprar a prazo especialmente no caso de bens duráveis e nesse pacote entra o juro embutido nas prestações, que é elevado. Recomenda-se comprar à vista, embora o cliente vá esbarrar na afirmação de lojistas de que o custo da compra no crediário é idêntica a do pagamento no ato. Óbvio que isto não é verdadeiro, e incumbe, a propósito, que os órgãos de defesa do consumidor atentem para isso e tomem providências. No negócio a prazo ocorre o lucro natural da venda e o resultante da especulação financeira. Além dos muitos cuidados, é preciso pesquisar preços, porque há oscilações e promoções.
Com a alta do dólar, é prudente comprar menos produtos importados, pelo fato de que são mais caros e pagam mais imposto (em torno de 40%) e porque optar por um similar nacional (até onde possível) é uma forma de manter o volume da reserva cambial. O Governo é inconstante em suas posições, porque os monetaristas do Banco Central pedem para consumir menos para não gerar inflação, e o presidente da República recomenda que não se deve deixar de comprar para não ocorrer estagnação. O caminho do meio é continuar gastando com prudência.





