Comprar um carro usado – bem usado – não é tão difícil. O problema é mantê-lo rodando. Para quem não pode comprar pelo menos um seminovo em bom estado, muitas vezes é a única opção. Marcos Leandro Santos, 23 anos, tem cinco filhos e está desempregado. Fazendo bicos como segurança, ele comprou um Passat, ano 77, por R$ 800,00, há cerca de 8 meses. Dia desses, resolveu ir até Jataizinho de carro. A volta foi de guincho. ‘‘Estourou a bomba de gasolina’’, conta.
Marcos Leandro só não gasta em oficina porque, como diz, todo dono de carro velho tem que entender um pouco de mecânica. ‘‘Se for levar toda hora pra arrumar não compensa. Também não compensa ficar marcando o quanto a gente gasta por mês com o carro’’, ensina. O uso do carro, agora, é só para atender às necessidades, diz.
O carroceiro Vanderlei Santana confia mais em sua carroça do que na Brasília ano 78, pela qual pagou R$ 1.200,00 há um ano. De saída, conta que gastou R$ 600,00 para refazer a pintura. ‘‘E é oficina todo mês. Esses dias gastei R$ 350,00 pra fazer o motor e ainda não ficou bom.’’ Ele ainda consegue brincar com a situação e diz que o carro dá para ir do bairro onde mora, o Marabá, até o vizinho São Jorge. ‘‘Mesmo assim, esses dias tive que puxar o carro com a carroça.’’
Mais sorte teve a dona-de-casa Claudete Pereira com seu Chevette ano 74. O carro não dá problema e ela, às vezes, vai até Bela Vista do Paraíso e outras cidades vizinhas, sem susto. ‘‘Já tivemos Corcel, Fusca e Kombi, que não saíam da oficina. Todo mês dava problema e era, pelo menos, R$ 50,00 de gasto com o mecânico’’. (B.B.)

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