Inicia-se o período de inscrição para o vestibular em todo o País. Para a maioria dos estudantes que possuem a possibilidade de ingressar no ensino superior, este é um momento de tensão, dúvida, pressão, expectativas, sonhos, medos, etc. Segundo pesquisa realizada pelo Portal Educacional com dois mil adolescentes, 54% dos alunos do 3º ano do ensino médio não sabe qual carreira escolher.
Primeiramente, vamos nos ater a esta palavra: "carreira". Tenho a impressão que esta palavra, atualmente, tem sido mais utilizada que a palavra "profissão". São sinônimos? Segundo, o dicionário Aurélio da língua portuguesa, sim são sinônimos. Porém, carreira também pode significar "corrida veloz". E no mundo globalizado, nos grandes centros urbanos, o bem mais precioso e raro é o "tempo". Existe uma corrida veloz constante. É preciso passar no vestibular logo no final do terceiro ano para "não perder tempo"; em seguida uma pós, duas, três; e, começar a trabalhar, então para garantir a vaga no mercado "não podemos parar no tempo", é preciso atualizações constantes. Assim, estamos sempre correndo! É real, que um profissional competente precisa estar atualizado em sua área, e nas notícias do mundo. O volume de informações de fácil acesso é enorme, logo, as exigências também.
Nesse clima de muita pressa, é preciso escolher rapidamente que curso marcar na folha de inscrição. Sem tempo de pensar, de parar, de escolher, de refletir, de se conhecer (sim se conhecer, pois o período de escolha da profissão é por volta dos 16 aos 20 anos, período de grandes transformações pessoais, a famosa adolescência). O resultado da falta de tempo é mostrado em uma pesquisa realizada pela HLCA Human Learning com dez mil profissionais de empresas de médio e grande portes de todo o País, com profissionais entre 18 e 60 anos de todas as camadas sociais, afirma que 78% dos entrevistados responderam que não estão felizes em suas carreiras. Outra pesquisa da Pactive Consultoria apontou 65% dos profissionais pesquisados gostariam de fazer algo mais ligado a sua personalidade.
Em outras culturas, principalmente nas consideradas berços da cultura ocidental, após terminar o ensino médio, os adolescentes começam a trabalhar, em empregos que talvez tenham algum interesse em exercer no futuro, ou empregos que possam apenas economizar dinheiro e depois viajar. Por quê? Para poder experimentar algo novo, como responsabilidade de ter um trabalho, mais autonomia. O tempo para pensar e poder amadurecer um pouco mais antes de escolher um dos pilares da vida, a sua profissão, é respeitado e visto com bons olhos. Viajar, se conhecer, amadurecer, não é visto com perder tempo. E sim ganhar!
Mas na nossa realidade, o que acontece é: ter aulas o dia todo, estudar no fim de semana, parar os exercícios físicos, o cinema, as saídas, "não dá tempo", é preciso passar no vestibular. E não temos tempo para o autoconhecimento, para ter consciência da escolha. Escolho o que as possibilidades de passar no vestibular são maiores, ou aquilo que a família tanto deseja, ou porque é profissão que é bem remunerada, ou por ser próximo das matérias que aprecio na escola, ou pelo resultado do teste on-line.....enfim, os critérios de escolhas ficam frágeis. A grande pergunta é: onde vamos com tanta pressa que não tenho tempo de realmente me perguntar para onde eu quero ir?


■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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