Em primeiro lugar, Boas Festas! Que este povo ingrato e pidoncho raramente se lembra de lhe desejar, extensivas a todos que lhe são caros e baratos também. Naturalmente também tenho minha listinha de esperanças, que não são exatamente presentes, uma vez que sou contribuinte. Aliás em dia com meus pagamentos. O primeiro é que um bom mecânico desenrosque o acelerador da prefeitura pois a velocidade dos impostos injetados de modo algum se reflete no torque das obras.
Nunca tive dúvidas da transparência de vossa administração mas me confesso algo assustado exatamente pelo exagero que tem ocorrido com essa característica: é tão diáfana que quase não se consegue percebê-la na paisagem, ao menos por onde tenho andado. Naturalmente isso piora sensivelmente à noite, quando as luzes da cidade se revelam muito fracas, justamente quando ficamos nos lembrando de promessas de iluminar tudo, todos e, com isso, espantar ladrões e assaltantes.
Como as calçadas estão prá lá de velhas e mais esburacadas que os sonhos mais selvagens que o Bush sonha para o pobre Iraque, as nossas noites são um misto teatral de pessoas assustadas com meliantes e tropeçando sem parar nas crateras.
Em uma cidade com milhares e milhares de estudantes noturnos, na maioria pobres e pedestres, o recurso que resta é tentar andar pelo meio da rua, o único mais ou menos iluminado, mas com os riscos infinitos deste trânsito egoísta e violento.
Aliás, até hoje não entendi o porquê de se iluminar o meio da rua, onde os faróis clareiam a valer e aquele breu, na via dos pedestres. E fico pensando que o sindicato dos assaltantes deve ter tido importância nesse tipo maluco de iluminação pública...
Acho que o senhor bem que poderia descer do trenó e andar um pouco nas nossas via de pedestres. Eu queria ver o seu saco balançando nestas calçadas das nossas noites... Aliás, dentro da mais santa lógica da administração municipal, é muito provável que o senhor ficasse rapidinho, rapidinho sem o seu. Puxa, eu fico repetindo tanto que alguém pode achar que estou com idéia fixa mas a verdade é que realmente me preocupo com essa possibilidade. E me confesso mesmo meio cheio com essa lerdeza nas obras aqui na cidade, que ainda vive das obras dos outros que, bem ou mal, fizeram o que temos por aí. Se pelo menos se cuidasse do que outros prefeitos fizeram... E, nesse sentido, que saudade dos tempos em que foram feitas as obras úteis que herdamos...
Até o ano que vem, deste contribuinte desesperançado com o voto desperdiçado,
LINCOLN BRASIL E SILVA é médico em Londrina

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