O Carnaval é, sim, festa, encontro e celebração. Mas também é um período em que aumentam as situações de exposição a infecções sexualmente transmissíveis (IST), incluindo o HIV. Por isso, falar de prevenção neste momento não é alarmismo; é cuidado em saúde pública. Além da camisinha, hoje o Brasil conta com estratégias altamente eficazes baseadas em medicamentos: a PrEP e a PEP. Elas fazem parte da chamada prevenção combinada, política do Sistema Único de Saúde (SUS) que integra informação, testagem e acesso gratuito à tecnologias de proteção.

O que é a PrEP?

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) consiste no uso de comprimidos antes da relação sexual, protegendo o organismo em caso de contato com o HIV. A pessoa em PrEP realiza acompanhamento regular no serviço de saúde, incluindo testagem para HIV e outras IST. A medicação combina tenofovir e entricitabina, que bloqueiam a entrada do vírus nas células. No Brasil, há duas modalidades:

• PrEP diária: uso contínuo, indicada para pessoas em maior vulnerabilidade;

• PrEP sob demanda: tomada apenas quando houver previsão de exposição, recomendada para relações anais.

O país também passou recentemente a contar com uma PrEP injetável de longa ação, com efeito de até 60 dias, ainda sem previsão de oferta pelo SUS.

Quando começa a proteger?

Pessoas designadas como do sexo feminino ao nascer e que usam estradiol precisam de pelo menos 7 dias de uso diário para obter proteção ideal. Para homens cis, travestis, mulheres trans que não usam estradiol e pessoas não binárias designadas como masculinas ao nascer, duas doses, entre 2 e 24 horas antes da relação, já conferem proteção para relações anais. Não há evidências de eficácia da PrEP sob demanda para relações vaginais. A adesão correta é essencial.

Quem pode usar?

A PrEP é indicada para quem apresenta maior risco de infecção: uso inconsistente de preservativo, múltiplas parcerias, episódios recentes de IST, chemsex, uso frequente de PEP ou parceria vivendo com HIV. Ela é gratuita no SUS, mediante avaliação profissional e exames laboratoriais, incluindo creatinina, necessários para avaliar a função renal antes e durante o acompanhamento.

Em Londrina, o agendamento pode ser feito pelo site da Prefeitura:

https://www3.londrina.pr.gov.br/sistemas/agendamento/?idLocal=309

Importante lembrar: a PrEP não protege contra outras IST. Camisinha sempre.

E a PEP?

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é indicada quando já houve risco, como relacionamento sexual sem preservativo, violência sexual ou acidente com material biológico. “A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível, idealmente nas primeiras horas e, obrigatoriamente, até 72 horas após a exposição”, reforça a Profa. Dra. Flávia Pieri.

O tratamento dura 28 dias e é gratuito no SUS. Antes de iniciar, realiza-se testagem para HIV; ao final, nova testagem confirma a eficácia. O Ministério da Saúde recomenda, ainda, testagem para hepatites virais após exposições sexuais de risco.

Carnaval com responsabilidade

Mesmo com os avanços da prevenção combinada, a camisinha continua indispensável. PrEP e PEP não protegem contra sífilis, gonorreia ou hepatites.

O Carnaval é um momento de alegria e também de informação. Ter acesso a estratégias de prevenção significa ampliar a liberdade com responsabilidade e cuidar da saúde individual e coletiva.

Cenário brasileiro

Entre 1980 e setembro de 2025, o Brasil registrou 1,67 milhão de pessoas vivendo com HIV/aids. Estimativas indicam cerca de cinco novas infecções por hora. São números que reforçam a importância da testagem regular e do acesso às estratégias do SUS. Quarenta anos após o início da resposta brasileira à aids, avançamos muito. Mas prevenção ainda é a palavra-chave.

Enf. Profa. Dra. Flávia Meneguetti Pieri

Enf. Profa. Dra. Gilselena Kerbauy

Departamento de Enfermagem/Residência em Infectologia/PPGENF-UEL

Enf. Michele Amadeu

Gerente do Programa Municipal de Londrina de IST, HIV, Aids, Tuberculose e Hepatites Virais

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