Carnaval e economia
Se o Brasil produtivo começa a funcionar agora, depois de passado o Carnaval, é certo que a folia carnavalesca é também uma atividade econômica e que rende bons dividendos. Os períodos de férias, igualmente, ativam a economia, porque fazem girar a moeda e alimentam toda a atividade de serviços.
O Carnaval, que nos Estados do Nordeste começa bem antes e ainda vai continuar, não é apenas o doce e divino ócio da população nordestina, mas também muito trabalho. Que ativa o giro do dinheiro. Porque, paralelamente com a dança dos foliões, há toda a estrutura de apoio, que exige planejamento, organização e muito suor produtivo.
Os festejos não acontecem e não se sustentam por acaso. As cidades vão sendo preparadas para o Carnaval e também o poder público se mobiliza, para manter as infra-estruturas, a fim de receber e bem atender as multidões que vêm de fora, entre brasileiros de todos os pontos e estrangeiros.
A preparação dos blocos carnavalescos e dos trios elétricos e toda a produção das vestimentas mobilizam exércitos de pessoas, muito antes do Carnaval, e mal uma festa termina já se começa a pensar na próxima, afora as intermediárias que vão ocorrendo ao longo do ano.
Agências de turismo, serviços de hotelaria, bares, restaurantes, confeccionistas de fantasias, músicos, taxistas, ambulantes e uma gama enorme de outros serviçais têm nessas festas carnavalescas, e em todas as demais, uma grande fonte de renda.
No caso específico dos baianos e pernambucanos que sempre fazem o maior Carnaval de rua e as melhores festas populares do Brasil é engano supor que o povo deixa de trabalhar para entregar-se à farra, porque a atividade carnavalesca e todas as demais festanças são períodos de muito trabalho, porque há toda uma retaguarda que promove e sustenta essas promoções. São as épocas de colheita dessas regiões, que vivem basicamente do turismo.
Não é apenas por gosto dos nordestinos foliões que o Carnaval começa antes e termina depois de outros pontos do País. É porque, quanto mais tempo durar a festa, mais giro de dinheiro ocorrerá. E dinheiro que não apenas gira, mas entra, porque procedente de todo o Brasil e do exterior, pela mão de visitantes cada vez mais interessados em conhecer e desfrutar desses folguedos.
Diferente, portanto, do que alguns possam imaginar, o Carnaval e todo gênero de festejos devem ser estimulados e receber apoio oficial e das comunidades. Porque as festas não interrompem a ação dos contingentes que produzem nos campos e nas fábricas, no comércio e nos serviços. Ao contrário, dão-lhes alento, porque onde há qualquer movimentação popular e consumo, todos ganham, direta ou indiretamente.
Em face dos avanços da tecnologia o homem tenderá a trabalhar cada vez menos, e isso não significará ondas de desemprego, porque paralelamente se intensificará a indústria da recreação, do lazer, do turismo, que serão as grandes atividades do futuro não muito distante.
Buscar ocupação recreativa para os dias da semana em que não haverá trabalho já é preocupação dos estudiosos do comportamento humano, pois se há comunidades no mundo que morrem de fome não pela falta de alimento e de riquezas mas pela má divisão o homem do futuro poderá morrer pelo estresse do ócio, se não se der atenção a isto.
O lado triste das festas carnavalescas e dos períodos de férias como nossos fins e começos de ano é a violência do trânsito nas rodovias e nas cidades e os excessos que levam a acontecimentos desagradáveis, mas para isso muito contribui a negligência dos poderes públicos. As estradas brasileiras são péssimas e a estrutura de segurança aos cidadãos, no geral, deixa muito a desejar. A fragilidade da infra-estrutura favorece esses acontecimentos.
Festas e folias carnavalescas não são coisas ruins, antes atividades que deleitam as pessoas, dão grande suporte econômico e favorecem as economias regionais. Porém, cada vez mais, será necessário profissionalizar esses eventos e adequar as estruturas que lhe dão sustentação, e está é função não apenas das comunidades mas acima de tudo do poder público.





