A Associação Contas Abertas fez os cálculos que mostraram o quanto custou aos cofres públicos o feriadão de Carnaval no Congresso Nacional. A "esticadinha " de deputados federais e senadores, resultando em 11 dias de folga, custaram R$ 279,1 milhões. Nesse período de 11 dias não teve trabalho legislativo e nem descontos nos contracheques. Alguns setores trabalharam nas duas casas, mas sem a presença dos congressistas, a produtividade cai bastante.
A Câmara e o Senado não realizam votações desde 11 de fevereiro. Os congressistas são obrigados a comparecer às sessões apenas quando elas são deliberativas, o que na prática liberou todos os 594 deputados e senadores a só retornarem às suas atividades na próxima terça-feira, 25 de fevereiro.
O Congresso ficou praticamente vazio na última quinta-feira, quando apenas o Senado realizou sessão exclusiva para discursos. Foram quase três horas de debates, com falas de 10 dos 81 senadores se revezando na tribuna. O mesmo aconteceu na Quarta-feira de Cinzas. Nesse mandato, que começou em 1º de fevereiro, os novos senadores votaram apenas um projeto, que autoriza acordo entre o governo do Brasil e a Organização Internacional para as Migrações.
O recesso ampliado de Carnaval não é novidade no Congresso. É uma tradição paga com o dinheiro público. Muita gente trabalha no período de Carnaval e a maioria dos brasileiros que teve sorte de descansar no feriado conseguiu parar por no máximo cinco dias. Mais sorte ainda tiveram os congressistas, afinal, qual patrão concede 11 dias de folga logo depois da contratação do funcionário? Lembrando que deputados e senadores assumiram seus cargos em 1º de fevereiro, teve gente que conseguiu até mesmo viajar para o exterior, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que visitou a Europa com a família.
A Contas Abertas também calculou o que poderia ser feito com cerca de R$ 280 milhões. Segundo a associação, com esse valor seria possível comprar quase 1,9 mil ônibus escolares rurais, construir 78 escolas com capacidade para 432 alunos por turno ou 140 Unidades de Pronto Atendimento. Um descanso bem caro.

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