A posição geográfica do Paraná o transformou em um grande corredor para o transporte de produtos perigosos. Diante do incremento das atividades do Mercosul e da localização de várias indústrias de produtos químicos e derivados de petróleo nos estados vizinhos, a tendência deste volume de tráfego é crescer ainda mais.
Estudos desenvolvidos pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) demonstram que o tráfego de veículos que conduzem este tipo de carga é intenso e as BRs 116 e 277 despontam como as principais vias de escoamento para os produtos.
Segundo o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina, Carlos Roberto Della Rosa, venenos e combustíveis são os principais produtos químicos transportados na região de Londrina. ''A frota de caminhões especializados neste tipo de transporte é de 350 veículos, sendo 250 destinados ao transporte de veneno e 100 para combustível'', afirmou Della Rosa, lembrando que o sindicato possui 33 mil associados em toda a Região Norte do Paraná.
Hoje, o País dispõe de leis de crimes ambientais, como a 9.605/98 e a OIT 174, em fase de regulamentação. A legislação prevê a responsabilidade civil criminal, multas que variam de R$ 50 a R$ 50 milhões, penas de até cinco anos de cadeia e a perda da condição de reú primário.
Por isso, cada produto a ser transportado necessita de uma numeração específica, a mesma utilizada nas placas de identificação que devem ser colocadas na frente, nas laterais e na traseira do caminhão. O motorista ainda precisa de uma carteira de habilitação profissional e do certificado de participação no curso de Movimentação de Produtos Perigosos (Mopp), realizado por entidades credenciadas, como o Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat).
Della Rosa ainda enumera outras três requisições que os caminhoneiros devem atender quando transportam cargas perigosas: um kit de segurança para emergências, um certificado de capacitação do veículo e do tanque, emitido por uma entidade credenciada pelo Inmetro, e a ficha de emergência do produto fornecida pelo fabricante.
''Um caminhão que transporta veneno não deve transportar nenhum outro tipo de produto e caminhões-tanque não podem carregar outras cargas sobre o combustível'', explicou Della Rosa.
A maior parte das transportadoras de produtos químicos contrata uma escolta para acompanhar a carga, que é rastreada durante toda a viagem. Para compor a escolta é necessário pelo menos um carro, que segue à frente do caminhão, e até cinco guardas armados, que podem viajar no carro ou no caminhão.
''Caminhões com cargas perigosas devem circular em horário comercial, com parada para descanso durante a noite, e a velocidade máxima permitida é de 80 km/h em dias normais e 60 km/h na chuva'', assinalou o presidente do sindicato, lembrando que o preço cobrado pelo frete de uma carga perigosa chega a custar o dobro da quantia cobrada para carregar outros produtos.
Com o objetivo de conscientizar produtores, transportadores e consumidores de produtos perigosos, os governos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul firmaram, em 1994, um protocolo de intenções, que visava a cooperação operacional e técnica no transporte rodoviário. Três anos mais tarde, com a criação do decreto 3.398, o Paraná estabeleceu o Programa Estadual de Controle do Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, cuja meta era integrar os diversos órgãos públicos competentes para evitar a ocorrência de acidentes nas estradas.
Segundo o capitão Ricardo Jammes Teixeira, do 3º Grupamento de Bombeiros de Londrina, nenhum acidente grave envolvendo o transporte rodoviário de produtos perigosos aconteceu na Região Norte do Paraná este ano. ''O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Receita Estadual, Vigilância Sanitária, polícias Florestal e Rodoviária e Corpo de Bombeiros realiza, mensalmente, um trabalho preventivo de fiscalização nas estradas a fim de evitar acidentes que comprometam o meio ambiente'', contou.
O chefe do núcleo regional do IAP, Ney Paulo, também comemorou a falta de acidentes nas estradas de Londrina. ''De janeiro até agora não houve registro de acidentes com caminhões. O único incidente registrado envolveu o descarrilamento de um trem que transportava combustível'', disse. O acidente ocorreu em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), em novembro, quando 100 litros de óleo diesel vazaram de quatro vagões.
Para o capitão Teixeira, a diminuição do número de acidentes aconteceu porque os motoristas estão mais conscientes. ''Nas fiscalizações, percebemos que os caminhões trafegam com os documentos, do veículo e do produto, em ordem, além de os motoristas apresentarem as habilitações necessárias'', declarou.

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