A sonegação de impostos é nociva à nação, mas essa prática ocorre porque a carga tributária é elevada demais, a ponto de se tornar insuportável e ameaçando a sobrevivência econômica das empresas e também dos contribuintes físicos. Por culpa da sanha arrecadadora criou-se o círculo vicioso de, quanto mais o Governo arrochar, mais a sonegação cresce. Se as alíquotas dos impostos baixasse, a tendência seria de empresas e cidadãos sonegarem menos, porque uma coisa tem relação direta com a outra, conforme o entendimento de proeminentes analistas.
Parece que o Governo não se deu conta de que se o giro dos negócios aumenta - um fenômeno que ocorre também pela diminuição dos encargos tributários - o volume da arrecadação seguirá o mesmo ritmo, e assim a Receita obviamente colherá mais. Este é o chamado círculo virtuoso, que além dos múltiplos benefícios ao contribuinte, ao Tesouro e à economia em geral, instala a moralidade fiscal e afasta o risco de empresas e pessoas serem apanhadas pela malha da punição. Conforme os jornais acabam de divulgar, hoje a sonegação quase empata com o que é recolhido. Há setores onde não pagar imposto ou sonegar é impossível, mas está travada uma batalha entre a insaciedade do Governo e o pagador de impostos, que se defende como pode para não sucumbir.
A situação exige prudência porque a tributação é escorchante. O caminho é aplacar essa fúria e não aniquilar as fontes produtoras com execuções mortais, ou as dificuldades econômicas da nação se agravarão e o Governo irá junto de roldão. A sonegação no varejo leva a uma sonegação em cadeia, segundo o Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Mauro Ricardo Costa. Porque se o varejo não emite nota fiscal, também não quer que o fornecedor o faça. A reforma tributária - sobre a qual tanto se fala mais ela não acontece, até porque o Governo nem a deseja - deve começar pela redução de impostos e das alíquotas, de forma a que o contribuinte pague menos e a Receita arrecade mais - aparentemente um paradoxo, mas ocorre que pagando menos, a cadeia produtora terá mais reserva de capital, investirá mais no negócio e barateará preços, o que resultará em mais venda, significando mais receita.
O Brasil é um país de economia instável na relação com os desenvolvidos, e é o que mais arrocha nos impostos. Esta é uma das razões dos grandes bolsões de subdesenvolvimento. Na equipe do Governo e no corpo parlamentar (este muito manipulado pelo Palácio do Planalto, como se acaba de constatar) faltam cabeças arejadas para implantar uma revolução na política tributária, de modo a causar menos sangria, semear crescimento econômico, diminuir a sonegação e beneficiar o próprio sistema arrecadador.

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