Carestia, uma nova expressão
A carestia é o tema da reportagem especial deste domingo da FOLHA. Quem está na casa dos 20 anos, provavelmente terá que procurar o significado dessa palavra no dicionário, pois a expressão era bem mais comum para os pais e avós dos jovens de hoje. O "Aurélio" mostra que a carestia é a "qualidade do que é caro; preço alto superior ao valor real; alta de preço; encarecimento; escassez, falta, carência". Pois é justamente a sensação de carestia que toma conta de muita gente que faz compras semanais nos supermercados. Como não poderia deixar de ser, a inflação volta à memória dos brasileiros e a preocupação com a alta dos preços começa a tomar força e deve influenciar na próxima eleição.
A inflação acumulada nos últimos 12 meses foi de 6,28%, conforme o índice de abril divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), taxa que está dentro do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,5%. Mas o cidadão sabe que os preços dos produtos e serviços que ele consome estão acima desse percentual. Itens que fazem parte do dia a dia dos brasileiros acumulam alta superior à média do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado para determinar a inflação. É o caso dos alimentos (7,83%), habitação (7,62%), saúde e cuidados pessoais (6,62%) e educação (8,65%).
Exemplos: de março de 2013 a março de 2014 os produtos in natura subiram 9,92%, alimentação fora de casa aumentou 10,27%, cursos formais estão 9,75% mais caros e assistência médica aumentou 15,03%. Os primeiros resultados dessa "sensação de carestia" apareceram no balanço das vendas do comércio na Páscoa (pior resultado nos últimos cinco anos) e no Dia das Mães (vendas abaixo do esperado). É o reflexo da situação de muitas famílias que comprometeram suas rendas com o financiamento de carro e imóvel e agora estão segurando o consumo.
A reportagem mostra como algumas famílias estão fazendo para driblar a inflação. Corte de despesas, mudanças de hábitos e a substituição por produtos similares mais baratos são as alternativas mais citadas. É preciso ainda lembrar que a inflação está chegando ao seu teto máximo, mesmo com o governo federal "segurando" os preços da gasolina e da energia elétrica. Enquanto a oposição diz que o aumento desses itens está guardado para depois das eleições, o governo justifica que se trata de preços administrados e que o repasse será gradual para manter a meta da inflação.
Por enquanto, a única certeza é que a inflação será um dos temas mais explorados pelos programas políticos deste ano.





