O presidente Fernando Henrique Cardoso inicia hoje sua primeira visita a dois países africanos - Angola e África do Sul - com objetivos econômicos e políticos diferentes e que espelham o contraste das duas nações. De um lado, está Angola, país que viveu 20 anos de guerra civil e que até hoje não conseguiu colocar totalmente em prática o acordo de paz firmado em 1994.
FHC chega a Angola acompanhado de uma comitiva de empresários interessados em investir num país em ruínas e que precisa reconstruir sua infra-estrutura. Construtoras brasileiras como Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez, cujos representantes integram a comitiva, têm interesse na construção de represas, estradas, habitações e exploração mineral.
Outro setor que desperta a atenção dos brasileiros é o petrolífero. A Braspetro, subsidiária da Petrobrás, está em Angola desde 1979. O país produz cerca de 700 mil barris/dia. O petróleo é utilizado até mesmo para saldar a dívida de US$ 426 milhões que Angola tem com o Brasil. Desde 1995, quando foi feito o escalonamento da dívida, o país entrega, como forma de pagamento, 20 mil barris/dia ao governo brasileiro.
FHC deixa Angola segunda-feira à noite, partindo para uma viagem de três dias à África do Sul, país que responde por 40% da produção industrial do continente africano. No país que ficou conhecido pelo regime do apartheid e que desde 1994 é presidido por Nelson Mandela, as prioridades de FHC se invertem. Ele quer aumentar os investimentos sul-africanos no Brasil - hoje atingem US$ 1 bilhão. Para isso, enfatizará seu discurso a favor das privatizações, principalmente a da Vale do Rio Doce. Na África do Sul, estão as principais mineradoras do mundo, como a Anglo-American e a Gemco.

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