O presidente Fernando Henrique Cardoso acusou ontem os políticos contrários à reeleição de ‘‘esconderem’’ seus ‘‘desejos e interesses’’ e não serem ‘‘sinceros’’ ao expor seus pontos de vista. Ele não citou nomes, mas o recado atinge o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), e o tucano Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, que já depuseram na comissão especial da Câmara que analisa a emenda da reeleição.
Ciro Gomes disse que o debate sobre o tema pode ser ‘‘mortal’’ para o país e que o preço da reeleição é ‘‘impagável’’. Segundo assessores próximos ao presidente, FHC considera que a comissão da Câmara se tornou um enorme ‘‘palanque eleitoral’’ e que os políticos que lá depõem só estariam interessados em consolidar sua próprias candidaturas à Presidência da República.
FHC embarcou para o Brasil às 16h (12h em Brasília). Após visitar o Parlamento, disse que os líderes sul-africanos ‘‘são sinceros num ponto fundamental: é preciso reforçar a democracia e fazer com que o povo viva melhor’’. Para o presidente, seria bom que se partisse do princípio de que, ‘‘quando alguém fala alguma coisa, está dizendo aquilo que pensa e não escondendo algo’’. ‘‘A menos que alguém esteja escondendo algo sem querer, aí só os psicanalistas podem descobrir’’, completou, num tom irônico.
Antes de encerrar sua visita à África do Sul, o presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou-se com o presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação, Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua luta contra a política de segregação racial do governo da África do Sul. ‘‘Precisamos aprender com o Brasil o processo de reconciliação do nosso país’’, disse Tutu.
A comissão presidida por Desmond Tutu tem a difícil missão de conciliar os interesses políticos da minoria branca e os da maioria negra. A comissão também investiga os crimes praticados durante o governo racista. Apesar de o presidente Nelson Mandela e o ex-presidente Frederik de Klerk terem ganho o Nobel da Paz em 1993, muitos diplomatas acreditam que a paz ainda não está assegurada na África do Sul.
Desmond Tutu afirmou que a comissão está dando a sua contribuição para estabelecer um acordo de negociação com o objetivo de reconciliar o país.
O presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que vai investigar irregularidades na autorização, emissão e negociação de títulos públicos estaduais e municipais. ‘‘É preciso fazer uma análise objetiva sem preconceitos, sem saber de antemão quem está errado ou certo; o governo apoiou a CPI porque o que nós queremos é aperfeiçoar o sistema político.’’

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