Cárceres superlotados
A segurança dos que vivem em liberdade depende também da segurança dos que estão presos, sobretudo os perigosos delinquentes autores de crimes violentos e outros ilícitos. Os presídios, no Paraná, estão superlotadas, e o alerta que a administração carcerária fez neste jornal é de que a qualquer momento pode estourar uma fuga em massa ou uma rebelião de presos. A situação é preocupante, e, segundo a Vara de Execuções Penais, da Capital, não há outro lugar para onde esses detentos possam ser encaminhados. Se os governos negligenciam diante dos problemas sociais e permitem que eles cheguem ao ponto de gravidade, os reflexos se manifestam no aumento da criminalidade e na lotação dos presídios, afora o grande número de marginais em liberdade e agindo, e os condenados com mandado de busca e prisão mas que não foram capturados.
Se o problema não é apenas paranaense, mas de todo o País, também é estadual e nacional a falta de empenho governamental em solucioná-los. A escassez de recursos é apresentada sempre como argumento para a pouca vontade e a incompetência dos governos diante da situação. Recursos existem, mas ocorre que a máquina pública esbanjadora e desperdiçadora os utiliza mal. O que se consome inutilmente em outras esferas do sistema governamental seria suficiente para a construção de estabelecimentos suficientes e adequados. Não há falta de dinheiro e sim má distribuição dos meios existentes, com grandes somas destinadas a alimentar mordomias nos escalões superiores do círculo governamental, e minguadas parcelas para problemas sociais prioritários, como os da segurança, da saúde, do ensino, da superlotação carcerária.
Por envolver marginais, que a sociedade por natureza abomina, o inchaço dos presídios não deixa de ser um problema social e não pode ser tratado com indiferença pelos governos e por esta mesma sociedade. Nada mais se pode esperar, caso do Paraná, do governo que já está encerrando expediente e que agora só cuidará dos ajeitamentos de quem se prepara para a despedida. Mas o governante que assumir no início do ano não poderá alegar ignorância e omitir-se.
Walmor Macarini





