Larissa Morais
Agência O Globo



Rio – As caravelas que trouxeram Pedro Álvares Cabral e seus homens na longa viagem de Lisboa para Porto Seguro, 500 anos atrás, tinham vinho, carne salgada, cebola, vinagre e azeite, muito azeite. Os navegadores capricharam no carregamento do produto porque acreditavam que, além da serventia na culinária, o azeite era eficaz para apaziguar os ânimos dos deuses e manter as águas calmas, quando jogado ao mar.
A curiosa história é lembrada por Pedro Cruz, presidente da Casa do Azeite – uma confraria que reúne os 50 maiores produtores de azeite de Portugal – que está investindo US$ 1 milhão em publicidade e marketing, este ano, para tornar as comemorações dos 500 anos do Descobrimento também uma celebração da chegada do azeite português ao Brasil. Independentemente do motivo que trouxe o azeite para o país, o fato é que o produto caiu nas graças dos brasileiros. Hoje, o principal item da pauta de importações do Brasil de Portugal é o azeite. O país consome um quarto da produção portuguesa e 65% das exportações do produto.
‘‘Já somos líderes, com 43,2% de participação no mercado brasileiro. Mas nossa meta é chegar a 50% no fim de 2001’’, diz Pedro Cruz, em entrevista por telefone, de Lisboa. Portugal faz planos para ampliar suas exportações, num momento em que se esforça para aumentar e sofisticar sua produção. A meta do país é produzir de 30% a 40% mais azeite nos próximos 15 anos. Para isso, a área de olivais plantada no país vai aumentar em 30 mil hectares, dos quais boa parte serão irrigados – o que reduz a dependência do clima para uma boa safra.
O mercado brasileiro tem dois principais atrativos para os portugueses, segundo Cruz: a dimensão e o ainda baixo consumo per capita. Enquanto num país como Portugal o consumo de azeite por pessoa chega a quatro litros por ano, no Brasil essa quantidade é de apenas 150 ml. Na Grécia, onde o azeite está ainda mais arraigado às tradições culturais do país, o consumo chega a 16 litros.
‘‘O potencial de crescimento do mercado do Brasil é enorme. Acreditamos que os brasileiros estarão consumindo o dobro nos próximos cinco anos’’, prevê Cruz. Parte da verba que a Casa do Azeite está investindo para divulgar o azeite português no Brasil foi gasta no patrocínio da regata que partiu no último dia 8 de Portugal, reproduzindo a viagem de Cabral, e vai chegar ao Brasil no dia 14 de abril, para as comemorações do Descobrimento. Como na jornada original, os barcos trazem um grande carregamento de azeite das marcas representadas pela Casa do Azeite. Mas, dessa vez, certamente nenhuma gota será jogada no mar.

mockup