São Paulo - Entrar na Casa de Detenção, andar pelos pátios, penetrar nas antigas igrejas, nas celas coletivas divididas por até 12 presos, subir e descer as escadarias de seus pavilhões. Durante um mês, será possível visitar o presídio do massacre dos 111 presos e da megarrebelião do Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo promete abrir a Detenção à visitação pública do dia 20 até 20 de outubro, quando serão demolidos três de seus sete prédios, primeiro passo para a criação do Parque da Juventude, planejado para substituí-la. Ontem, o maior e mais famoso de todos os presídios do País fechou definitivamente com a transferência dos últimos 74 presos que restavam no local.
O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, afirmou que as visitas, em grupo, terão guias da secretraria, que contarão a história do presídio aos visitantes. Após a demolição, começará a primeira fase das obras do parque, com a construção de dez quadras poliesportivas e uma pista de cooper numa área vizinha da Penitenciária Feminina, que continuará funcionando.
Depois, será a vez da parte central do novo parque, que abrangerá a área da antiga Casa de Detenção 2, cuja construção nunca foi terminada, e os 50 mil m2 de mata atlântica nativa que o terreno abriga. A última fase prevê a reforma dos antigos Pavilhões 2, 4, 5 e 7, que serão transformados em centros de tecnologia, de formação profissional, de cultura e de organizações não-governamentais. Parte da muralha será conservada para a prática de rapel. É nisso que o governo planeja transformar a Detenção.
Inaugurada em 1956 pelo então governador Jânio Quadros, ela foi concebida para abrigar 3.250 presos à espera de julgamento. Na década passada, chegou a ter 8 mil detentos. Foi em 1982 que ocorreu a primeira grande rebelião na prisão, após uma tentativa de fuga frustrada. Daí em diante houve uma sucessão delas. A mais grave terminou com a tropa de choque da Polícia Militar invadindo o Pavilhão 9 e matando 111 presos, em 2 de outubro de 1992. Foi da Casa de Detenção que partiu a ordem, em fevereiro de 2001, para que 28 prisões do Estado se levantassem na megarrebelião contra a transferência dos líderes do PCC.

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