A assessoria da presidente eleita Dilma Rousseff deve ficar atenta para que sua excelência não cometa os mesmos publicídios que o presidente Lula, com suas frases ‘‘indeléveis’’ e ‘‘exemplares’’. E Dilma acaba de mostrar que isso é factível, ao declarar (tomara que seja mentira!) que com os atuais salários, o governo corre risco de não ter ministros - referindo-se aos ‘‘baixos’’ salários do primeiro escalão. Sem comentário. Há quem diga que a convivência pode gerar patologias. De fato. A presidente poderia dizer a mesma frase mas com relação aos professores e médicos da saúde pública. Ficaria melhor. Com a vantagem de estar falando de coisa séria.
  Não fugindo muito do assunto, as divergências no seio do governo parecem iminentes, a julgar pelo destaque que o noticiário político dará hoje ao seguinte assunto: embora o governo Dilma Rousseff represente a continuidade do governo Lula, o sentimento que prevalece nos bastidores da transição é o de que não é preciso manter as mesmas pessoas nos cargos. A frase que encerra o assunto é um terremoto: Petistas não querem governo Dilma com cara de ‘‘governo velho’’.
  Um petista ligado à cúpula do governo de transição, em conversa reservada com Andrea Jubé Vianna, repórter da Agência Estado, defendeu a mudança de titulares, ainda que o ministério permaneça sob controle do mesmo partido. ‘‘Tem que mudar os nomes, senão fica com cara de governo velho. É um governo de continuidade, mas não pode ser igual ao do Lula’’, enfatizou. Com sutileza ou não, depende de quem interpreta, a opinião petista está declarada.
  Um comentário normal e inconsequente, se o centro de tudo - o ‘‘governo velho’’ - não fosse Lula, que não admite críticas. Mas esta crítica teve outro endereço: os dirigentes partidários que pleitearam, nas conversas com o presidente do PT, José Dutra, a manutenção dos espaços que ocupam na Esplanada.
  A briga por cargos começou forte. Há muitos companheiros esperando acolhida. Em meio a tanta gente com obsessão pelo poder, Dilma não precisa se preocupar se o salário é convidativo ou não.

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