Além de amizade, amor, saúde e família, o homem moderno busca constantemente o sucesso profissional. Para algumas pessoas este sonho parece distante ou até mesmo inatingível, enquanto outras se mostram predeterminadas para o topo.
De acordo com o jornalista, publicitário, escritor e palestrante José Luiz Tejon, autor de oito livros na área de marketing e vendas, todos nascemos equipados para atingir o sucesso.
Tejon esteve em Londrina para participar do Encontro Paranaense de Recursos Humanos, que aconteceu nesta semana, e falou com a FOLHA sobre os segredos para se atingir o máximo do potencial individual de cada um.
Podemos dizer que todo ser humano nasce para o sucesso?
Geneticamente sim. Somos constituídos por um mecanismo genético composto por cerca de 25 mil genes, todos eles nascidos para o sucesso. Por exemplo, se você carrega dentro de si um gene responsável por seu cabelo loiro, ele não vai parar até que isso aconteça. Mas isso não significa ter o êxito que estamos acostumados a batizar. Pode ser que alguém tenha mecanismos para o sucesso em ambientes bastante rudes. O que nós temos de vantagem é que podemos aprender e educar essa força genética interior.
Quando falamos em sucesso, pensamos sempre em seu lado positivo. Existem pessoas com capacidade para o sucesso negativo?
A superação é permanente, seja para o bem ou para o mal. E isso é possível de observar ainda na infância, prestando atenção na crianças, nos seus dons naturais, na empatia por algo ou na frieza e egocentrismo muito grandes.
Mas temos vários exemplos de pessoas que tiveram uma infância muito complicada e ainda assim conseguiram se superar e alcançar o sucesso. Como se explica isso?
Para essas pessoas o sucesso pelo ângulo virtuoso é uma excessão e não regra. Isso porque o trauma e o mau-trato diminuem a possibilidade da construção de aprendizados virtuosos na mente de uma criança. A fase infantil é muito importante para a capacidade de fazer viradas na vida. Mas também precisamos lembrar que isso depende de cada criança, de seu potencial interior.
Temos alguma capacidade de optar se queremos seguir pelo caminho da virtude ou do crime?
Quando somos crianças, infelizmente temos poucas condições de escolher. Quem consegue, de pequeno, ver oportunidades boas mesmo vivendo em uma família desestruturada e sem nenhum apoio é um herói. Porém, quando saímos da infância temos discernimento e autodeterminação que nos permitem ver coisas diferentes e possibilidades melhores. Não podemos dizer que somos vítimas das circunstâncias para sempre. Temos o poder de tomar nossas decisões.
Mudar de vida depende então das escolhas que fazemos?
Precisamos aprender a decidir. Porque a aptidão não aparece de criança para todo mundo. É por meio da tentativa e erro que descobrimos aquilo que não somos, o que é um bom caminho para saber o que somos. O jovem precisa aproveitar essa fase para experimentar: esportes, atividades, instrumentos. Quanto mais experimentamos, mais podemos encontrar nossa paixão vocacional.
E para quem já passou da adolescência e está insatisfeito, ainda há tempo para se superar e melhorar?
Claro. Muitas vezes isso acontece depois de crises extremas. Digo que se superar na crise é mais fácil do que se superar numa condição boa, porque ficamos com medo de largar algo estável. Mas nem sempre temos a ''sorte'' de levar um baque daqueles. Quando isso não acontece, vai depender muito do desejo da pessoa de viver a própria vida e parar de buscar desculpas para não mudar.
Dentro das corporações também é possível se superar e conquistar seu espaço?
Cabe aos profissionais de hoje tomar a consciência de que precisam se apresentar, olhar para a estrutura como um todo e não apenas para o chefe. Procurar os colegas mais talentosos e se aproximar deles. O funcionário provavelmente não vai ficar a vida toda em uma empresa, mas é possível absorver muito em um, dois ou três anos. Vale o conhecimento adquirido. Uma boa empresa é aquela que permite ao seu colaborador aprender e crescer, e que sabe lidar com o incômodo que os funcionários medianos sentem quando alguém que se destaca aparece.

mockup