Saber respeitar a opinião das pessoas é uma atitude essencial para a vida em comunidade, assim, é imprescindível na formação moral da criança e do/a adolescente, tanto na família quanto na escola. Numa sala de aula, por exemplo, é bom quando alunos/as têm opiniões diferentes sobre uma mesma questão e cada um/a pode expor a sua, ouvir o que os/as colegas pensam e aprender a respeitar a posição do outro, sem querer impor sua concepção ou insistir que a mesma é a melhor ou a única válida.

Ao participar de uma live com educadores/as, há alguns dias, uma professora perguntou-me o que poderia ter respondido a um aluno, quando, em sala de aula, ele comentou que o pastor costuma dizer que ser homossexual é pecado. Esclareci que foi bom o aluno ter tido oportunidade para comentar sobre algo que vem pensando ou que, talvez, o estivesse intrigando. A professora poderia ter esclarecido para a classe que, na vida, sobre as mais variadas questões, é comum que as pessoas se posicionem de maneira diversa. Sem desmerecer a explicação do pastor, a professora poderia esclarecer que ele entende a homossexualidade com base na religião e a partir da leitura bíblica, e que as pessoas que não a consideram pecado, nem doença e nem transtorno é porque entendem a homossexualidade a partir do que a Ciência e a proximidade com pessoas homossexuais apontam.

Entrar em contato com uma opinião diferente da própria pode possibilitar que a pessoa amadureça sua forma de ver uma questão e que, talvez, até reconsidere seus argumentos, se for o caso. Muitas discussões, que culminam em briga e/ou violência entre um casal ou entre pai/mãe e filho/a, entre amigos ou num grupo maior de pessoas, acontecem, na maioria das vezes, porque falta a capacidade de saber ouvir o outro e de respeitar um ponto de vista diferente do seu. As pessoas que desconhecem em que consiste a verdadeira e boa Educação Sexual, na escola, mal sabem o quanto ela pode auxiliar nesse aprendizado, já que a sexualidade abarca um conjunto de variadas temáticas que são envoltas por opiniões diferentes e, algumas vezes, divergentes. Esse aprendizado deve começar cedo na educação infantil e também em casa, aproveitando pequenas questões do dia a dia. Obras de literatura são recursos excelentes para esse trabalho.

É comum se observar lições de ataque à divergência de opiniões que acabam sendo verdadeiras aulas de cunho deseducativo para nossos/as crianças e adolescentes. O exemplo educa mais do que as orientações verbais, e todos sabemos disso. Cada vez que nos portamos como pessoas amargas, desmerecendo alguém, cada vez que emitimos uma fala desrespeitosa em relação ao outro, pelo que ele pensa ou defende ou por sua maneira de ser ou agir, desencadeamos, como resultado, relações humanas deterioradas e marcadas por angústia e animosidade. E tudo termina por afetar a saúde mental de todos/as.

Mary Neide Damico Figueiró, psicóloga, doutora em Educação, professora aposentada da UEL e

pesquisadora.

Os artigos, cartas e comentários publicados não refletem, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina, que os reproduz em exercício da sua atividade jornalística e diante da liberdade de expressão e comunicação que lhes são inerentes.

COMO PARTICIPAR| Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. As cartas devem ter no máximo 700 caracteres e vir acompanhadas de nome completo, RG, endereço, cidade, telefone e profissão ou ocupação.| As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. | ENVIE PARA [email protected]

mockup