Caos nos municípios
Toda troca de administração pública a situação se repete: novos prefeitos "herdam" os municípios com as finanças no vermelho e com os serviços básicos oferecidos à população funcionando precariamente. Ambulâncias paradas por falta de manutenção, por exemplo, são o retrato do descaso com a população. Em Londrina, um homem morreu no trânsito entre o Pronto-Atendimento Municipal e o Hospital da Zona Norte. Ele estava no carro de familiares porque não havia ambulância disponível para fazer o seu transporte. Dos dez veículos, apenas três estão em condições de uso.
Nesta semana, em Paranavaí (Região Noroeste), o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil público para investigar a situação das ambulâncias do Serviço Móvel de Urgência (Samu) que não estão sendo usadas e que poderão ser recolhidas pelo Ministério da Saúde. O governo federal anunciou que pretende retomar os veículos que não estão sendo utilizados pelos municípios. No Paraná, 76 ambulâncias repassadas para 71 municípios estão em situação irregular. Em todo o País, 326 veículos não foram usados corretamente ou estão parados desde 2010.
É um triste retrato da realidade. Enquanto a população sofre com o atendimento precário (ou a falta dele) por falta de estrutura, veículos estão parados por falta de manutenção ou de implementação do Samu. O que precisa ser apurado para que sejam apontadas eventuais responsabilidades são as causas da falta de manutenção e da não implementação do sistema. Além disso, é importante que a população fique atenta ao sucateamento da máquina pública. Se o voto é mal avaliado e a cobrança durante o mandato inexistente, não dá para reclamar depois de encerrada a gestão.
É preciso um engajamento maior da sociedade para coibir abusos e má administração pública. Enquanto não houver essa consciência e o envolvimento maior da comunidade na vida pública, a situação de penúria tende a se repetir. Continuamente.





