''O interesse pelas exatas corre no sangue da família'', conta Cristina Tonin, 29 anos de idade, que tem mãe e tias professoras de matemática. Quando chegou sua vez de decidir por uma carreira, não titubeou em seguir a corrente: foi ser engenheira na vida. Desde pequena, no entanto, entre as muitas atividades que desenvolvia em Iporã, onde nasceu, estava a música. E foi com a música que cresceu, embalando bem lá no fundo um sonho, sobre o qual nem se dava conta.
Isso até 1995, quando descobriu que tinha uma doença grave, um linfoma de Hodgkin. Já estava depressiva quando a doença veio e, com ela, ficou ainda mais instrospectiva, obrigando-se a profundas reflexões, inclusive e principalmente em relação às frustrações com a carreira escolhida.
Ficou um ano e meio em tratamento, saindo vencedora da batalha e, assim que se recuperou, começou a cantar em barzinhos. Ao se dar conta de que era possível sobreviver com essa profissão, desistiu da faculdade de engenharia, ingressando na de música. Quando decidiu mudar, a família deu total apoio. ''Tinham levado um susto tão grande com a doença, que nem se importaram muito com a virada na carreira'', afirma. Sua mãe e tias tornaram-se, inclusive, suas maiores fãs, acompanhando-a, sempre que possível, em suas apresentações.
Seu objetivo agora, ao terminar o curso, é tentar uma especialização em música no Brasil ou no exterior. Totalmente curada, sete anos depois de ter descoberto que estava com câncer, percebe que ''o tempo é muito importante''. Por isso, aconselha: ''O que puder fazer por você, e não só em termos de carreira, faça hoje''.

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